sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O PRESENTE DE OSSANHA.

Em homenagem ao dia da Consciência Negra eu trago para vocês um conto de um escritor que amo de paixão - Joel Rufino dos Santos.
Para quem não conhece, Joel Rufino dos Santos (Rio de Janeiro) é negro, é  historiador, professor e escritor brasileiro.
É um dos nomes de referência sobre cultura africana no país.
Nascido no bairro de Cascadura ( foi meu vizinho), cresceu apreciando a leitura de histórias em quadrinhos.
Já adulto, foi exilado por suas idéias políticas contrárias à ditadura militar então em vigor no país. Morou algum tempo na Bolívia, sendo detido quando de seu retorno ao Brasil (1973).
Doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde lecionou Literatura, como escritor tem extensa obra publicada: livros infantis, didáticos, paradidáticos e outros. Trabalhou como colaborador nas minisséries Abolição, de Walter Avancini, transmitida pela TV Globo (22 a 25 de novembro de 1988) e República (de 14 a 17 de novembro de 1989).
Além disso, já ganhou diversas vezes o Prêmio Jabuti de literatura, que é o mais importante no país.
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               Esta história  se passou há mais de cem anos, num tempo em que tudo era possível, ninguém se espantava com nada.
                  Num engenho de açúcar viviam dois meninos: um era filho do dono e se chamava Ricardo. O outro era escravo e tinham esquecido seu nome, só o chamavam de moleque. Moleque pra lá, moleque pra cá.
                   O moleque fora comprado  bem novinho no mercado. Seu trabalho ia ser brincar com o filho do dono, brincar de todo jeito: jogar dama, soltar pipa, rodar arco que era uma brincadeira muito apreciada naquele tempo e de cavalinho – Ricardo montava e o moleque era montado. Saíam os dois pelo terreiro:
-    Upa, upa cavalinho, gritava Ricardo.
O dono do engenho olhava aquilo e esfregava as mãos:
-    Esse moleque foi a melhor compra que já  fiz, mulher. Olha nosso filho como está feliz!
                     Vai que num domingo de manhã, estando de folga, o moleque entrou no mato para pegar passarinho. Ele pegava um pedaço de pau e passava visgo para o coitado pousar e ficar preso. Naquele domingo porém, o sol já estava no alto e nada...
-    Vou lhe ajudar, disse uma voz rouca.
Tinham explicado ao moleque que se ouvisse uma voz rouca longe de casa, tomasse cuidado. Podia ser a onça Gomes ou Quibungo, ou Ipupiara ou o João do Mato.Essas criaturas horrendas tinham lá suas razões para não gostarem de gente.
-    Quem é você? – perguntou o moleque. Mostre sua cara.
Quem apareceu foi Ossanha. Usava um cocar e um saiote de penas, mais não era índio. Sua pele era negra, quase azul. Não tinha uma perna e não tinha um olho, perdidos numa briga com Xangô.
No começo de tudo, o criador que se chama Olorum, tinha dado a cada filho uma parte do mundo. Para Ossanha deu a floresta:
-    Você cuida das plantas. Umas servem para comer, outras para fazer remédio e outras para enfeitar a casa. Quando alguém precisar, atenda.
O que fez Ossanha? Guardou as plantas só para si.
-    Está em falta, mentia quando alguém procurava.
Seu irmão Xangô quando soube, chamou Iansã que cuidava dos ventos:
-    Onde já se viu? Dê um castigo para esse egoísmo.
Iansã se aproximou como quem não quer nada, Ossanha se distraiu e ela abanou com a saia o horto particular do orixá egoísta. Foi a maior ventania! Quando acabou, as plantas tinham se espalhado pelo mundo. É por isso que Ossanha está em todo lugar que tem mato, recolhendo as plantas que Iansã espalhou.
               O moleque que conhecia a história não teve medo:
-    Como é que o senhor/senhora vai me ajudar?
Senhor/senhora porque Ossanha é as duas coisas.
-    Tome esse visgo, é da nossa terra. Com ele você vai pegar o pássaro Cora , já viu um?
-    Não.
E foi o que aconteceu. O pássaro Cora era um espanto! Vinha gente de longe apreciar  o seu canto – criadores de pássaros, viajantes, naturalistas, gente de outros países, do governo, da igreja...
O pássaro do moleque aprendia o que se ensinava. Bastava assobiar uma vez perto da gaiola e ele imitava. Começaram a botar preço na maravilha. O moleque recusava. Se aceitasse, teria dinheiro para jogar na cara de seu dono e dizer:
-    Olha aqui, compro a minha liberdade e pode ficar com o troco.
Mas o moleque dizia não. Não vendo, nem troco por dinheiro do mundo. O senhor partiu para a ameaça:
-    Se não me vender esse passarinho, te arranco a pele.
O moleque sorria com o canto dos lábios.
-    Se não me vender essa porcaria, te aplico os anjinhos.
Anjinhos eram uns anéizinhos de ferro para apertar os dedos e doía como o diabo!
-    Se é uma porcaria, por que o nhô quer comprar? Era só o que ele dizia.
Quando o menino estava de castigo, o Cora não cantava.
Até que um dia, o senhor perdeu a paciência. Resolveu vender o moleque para outro senhor.
-    Vai ser bem longe daqui que não quero ver a tua cara na minha frente  e nunca mais ouvir a voz desse passarinho.
Ricardo, o filho do dono, ficou triste, ficou doente e pediu:
-    Não vende, pai. Há tempos que o escravo sou eu. Eu é que dependo dele pra tudo,  não sei mais brincar sozinho.
O pai não escutou, vendeu o moleque. O comprador veio buscá-lo a meia-noite. Ricardo estava tão triste que não teve coragem de se despedir do moleque.
-    Ele vai alegre – pensou – porque tem o Cora. Eu fico triste porque não tenho nada.
No outro dia de manhã, quando se levantou e abriu a janela, o menino Ricardo teve uma surpresa: do lado de fora tinha uma gaiola pendurada.
Assim que viu o menino, o Cora começou a cantar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A VERDADEIRA FACE DA LUA-DE-MEL.


A organização de todos os detalhes de um casamento não é uma tarefa árdua. São gastos meses para que o grande dia seja perfeitamente como o sonhado pelos noivos. E, depois da cerimônia, troca de alianças e recepção, os recém casados só pensam em uma coisa: aproveitar bastante a sua “lua-de-mel”, para que os primeiros momentos a dois sejam inesquecíveis.
E por falar em "lua-de-mel, alguém sabe me dizer de onde vem essa expressão ?
A origem desse termo tem algumas versões diferentes.

A mais conhecida diz  que esse termo surgiu com antigas tribos germânicas que se casavam no período da lua-nova e durante o mês inteiro bebiam uma mistura afrodisíaca adoçada com mel para terem sorte.
Outra versão afirma que o termo teve origem lá em Roma Antiga, nos casamentos por captura: um homem apaixonava-se por uma mulher, raptava a amada, muitas vezes contra a sua vontade, e a escondia por um mês ( de uma lua cheia a outra) em algum lugar bem afastado, onde ninguém pudesse encontrar. Durante esse período, os dois bebiam uma mistura afrodisíaca adoçada com mel, até que ela se rendesse à sua sorte.
A lua cheia sempre foi um momento ideal, desde a antiguidade, para festas de casamento, pois como não existia luz elétrica, o luar iluminava a noite festiva.
Uma terceira versão nos conta que em Roma,  os convidados  pingavam gotas de mel na porta da entrada dos noivos, para que estes tivessem uma “vida doce”.
Bem, seja  qual for a verdadeira versão , não faz lá muita diferença. O que interessa é que a “lua-de-mel” faz parte do sonho de qualquer casal que busca  momentos sublimes  para viverem um grande amor.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O AUTO DO BOI DE CATIRINA.

Os brancos trouxeram o enredo da festa; os negros, escravos, acrescentaram o ritmo e os tambores; os índios, antigos habitantes, emprestaram suas danças. E cada fogueira acesa para São João, os festejos juninos maranhense foram transformando-se no tempo quente da emoção , da promessa e da diversão.
É nesta época de junho, que reina o majestoso Bumba-meu-Boi.
Lá pelas bandas do Maranhão existia um homem muito rico, dono de uma enorme fazenda, e que tinha paixão por gado. Seu rebanho era numeroso, mas dentre tantos no pasto existia um boi muito especial, que o tal homem destinava maiores cuidados – chamava-se Mimoso. De tão apaixonado que era, designou um empregado de sua inteira confiança – o nego Chico - só para cuidar de Mimoso e servi-lo do melhor.
Só que algum tempo depois, nego Chico cansado de viver sozinho, conheceu Catirina e enamorou-se por ela. Não demorou muito e estavam casados. Logo, logo,ela engravidou e lá pelo sexto mês, a tal mulher amanheceu com um surto de desejo: comer a língua de um boi; só que não era de qualquer boi, era a língua de Mimoso.
Seu marido ficou escandalizado. Argumentou... Disse que não era assassino, mas a mulher insistia e acabou convencendo o marido dizendo que caso não satisfizesse seu desejo, a criança que estava esperando poderia nascer morta.Sendo assim, nego Chico, então, mesmo inconformado,acabou arrancando a língua do boi para matar o tal desejo de sua esposa.
Só que no dia seguinte, seu patrão estranhando a ausência de Mimoso no pasto, começou a pressioná-lo.
Descoberto o malfeito, o Amo (que encarna o fazendeiro, o latifundiário, o “coronel”, a autoridade) pede aos índios que capturem o criminoso e o tragam à sua presença (representa a cena mais hilariante da comédia e também uma crítica social). Arrependido, nego Chico acabou relatando o acontecido.Quando o boi foi achado, estava quase morto.
Para ressuscitar o boi chamam o doutor , cujos diagnósticos e receitas estapafúrdias, ironizam a medicina.No final acaba sendo socorrido por um curandeiro dizendo que a vida de Mimoso dependia somente da fé do povo.
Então, o povo cantou e rezou a noite toda e Mimoso finalmente ressuscitou: foi uma festança ! Festa que dura até os dias de hoje, a festa do Bumba-meu-boi.
O Bumba-meu-boi, na verdade, nasce de uma promessa feita ao glorioso “São João” , mas no Maranhão também se rendem homenagens a São Pedro e São Marçal.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O PALHAÇO DO COQUEIRO.


O palhaço do coqueiro é uma lenda lá do Janga (bairro de Paulista, em Pernambuco) .
O povo conta que um palhaço frustrado que fugiu do circo, vive por aquelas bandas  pregando sustos nas pessoas, principalmente nas noites de  quarto minguante.
É o seguinte:
Um palhaço que não conseguia fazer as pessoas rirem no circo, acaba enlouquecendo e foge. Somente a lua minguante ri para ele, e por isso o palhaço passa as noites de lua minguante em cima dos coqueiros observando o sorriso da lua. 
O problema acontece quando uma nuvem passa pela lua encobrindo seu sorriso... daí então o palhaço desce do coqueiro em busca de sorrisos.
Quando encontra alguém ele começa a fazer palhaçadas (nada engraçadas) e se a pessoa não sorrir, hum... ele mata de susto.
  E assim vai até que a nuvem saia de frente da lua.

Mas será que ninguém prende esse palhaço ?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A ÁRVORE DAS FLORES VERMELHAS.



“Uma árvore sem flor chorava cruciantemente a sua desdita.

Ouviu-a Tupã. Penalizou-se e com voz tonitruante sentenciou:

-“Que os raios de fogo do sol ardente transformem esses verdes ramos em milhares de flores rubras”.

Tal aconteceu. A galharia verde das árvores frondosas da mata afastaram-se e o sol operou o prodígio

— a copa verde do flamboyant transformou-se num lindo ramo de flores rubras e fulgurantes.”

domingo, 15 de novembro de 2009

SERÁ QUE FOI MESMO O BENEDITO ?

Agorinha mesmo estava reescrevendo sobre São Benedito, quando me veio à cabeça aquela expressão de cunho popular: "Será o Benedito?".
Você sabe de onde ela vem ? 
Posso adiantar que não trem nada a ver com o pobre do santo.

Então vamos lá, foi assim que eu ouvi dizer...

É só fazer uma travessura e lá vem a vó com aquela cara que mistura decepção e impaciência: "mas será o Benedito?" Como muita coisa na língua portuguesa, a origem dessa expressão tem inúmeras versões, todas de difícil comprovação em registros formais - jornais da época, livros ou outras formas de comunicação escrita -, explica o professor de português Ari Riboldi, autor de três livros sobre a origem das palavras e expressões.
A versão mais aceita é a de que a pergunta teria surgido na década de 1930, em Minas Gerais. O então presidente Getúlio Vargas demorava muito para nomear um interventor para aquele Estado. 
Naturalmente, a demora gerou inquietação entre os inimigos políticos de um dos candidatos ao posto, cujo nome era Benedito Valadares, que perguntavam
-"Será o Benedito?".

Pois foi. Valadares foi nomeado interventor em 12 de dezembro de 1933 e, nos meios políticos da época, foi tão conhecido quanto sua expressão é entre os falantes.
Era considerado uma raposa, cuja esperteza, descreveu em suas memórias, só era superada pelo próprio Getúlio.
Uma variação da expressão é ainda mais curiosa: 
- "Será o pé do Benedito?" 
O professor Riboldi, porém, desiste:
- Se não há comprovação total da história de que Benedito era o governador Valadares, como saber de quem era esse pé?

sábado, 14 de novembro de 2009

O BODE PRETO.


Chegou até aos meus ouvidos, que no sertão nordestino existe um inseto que habita o subsolo, e fura o terreno para abrigar-se. A terra extraída do lugar em que escava, lembra a forma do fundo de uma garrafa. Diz o caipira ser a pegada do duende. 
O povo acredita que entes andam nas sextas-feiras santas em encruzilhadas onde os caminhos se bifurcam, à meia-noite, com o gênio do mal, metamorfoseando-se em um grande Bode Preto, conquistando a felicidade em troca da alma e selando com algumas gotas de sangue contratos macabros minutados pelo próprio demônio.
Para isso, porém, é preciso que o aspirante à felicidade seja dotado de grande fortaleza d'alma para que o Sujo não lhe pregue alguma peça, como sucedeu a um que combinara firmar contrato com o Espírito das Trevas e lhe entregava a alma com a condição deste de fazê-lo invencível no jogo do facão. 
Combinaram que o Diabo o ensinaria e o familiarizaria com todos os truques do jogo. 
O aspirante, por maior que fosse o aperto, não poderia chamar pelo nome de santo algum. Em meio da lição, porém, tal foi a conjuntura, ameaçado pelos coriscos do Diabo, que olvidando a combinação, a um bote que lhe deu o macabro professor, num salto à retaguarda, irrefletidamente, exclamou: -São Bento!!! 
-Serás molambento, urrou o Diabo, sovertendo-se pelo chão a dentro.
Desde então o triste viveu andrajoso: não havia roupa que o agüentasse, por mais forte e bem tecido que fosse o pano e, apoupado, viria a arrastar seus molambos com a alma entregue ao Diabo, sem a compensação que ambicionava. 

CRUZ CREDO , PÉ-DE-PATO, MANGALÔ,  TRÊS VEZES ! 


Essa é uma expressão usada pelos meus avós portugueses.
Para quem não conhece ou já ouviu e não sabe o que significa, aí vai uma cola:

Mangalô é uma planta faseolácea do Brasil.
Faseolácea é um gênero tipico de plantas a que pertence o feijão. 
No momento que se diz esssa expressão, joga-se três caroços de feijão para o ar, só assim o mau-olhado vai embora.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O CANTO DA FLAUTA MÁGICA: O IRAPURU.


O irapuru é um dos menores pássaros da floresta amazônica e sem qualquer cor que chame atenção. Comparado ao esplendor dos papagaios, tucanos e araras pode ser considerado até feio. Mas em compensação, possui um canto incomparável.
Canta apenas quinze dias ao ano, por não menos de cinco minutos.
Seu gorjeio acontece ao alvorecer, quando todos os demais passarinhos ainda estão dormindo.

O canto do irapuru ecoa na mata virgem com um som puro e delicado, como o de uma flauta. Parece ser emitido por uma entidade divina. Quando canta o irapuru, a floresta silencia. Todos calam para reverenciar o mestre, todos seduzidos pela beleza do seu trinado.
Por que o irapuru gorjeia com tanto sentimento ? Os índios tupi-guarani encontraram uma explicação.

Quem tiver o privilégio de ouvir seu canto, jamais o esquecerá.
Existem algumas lendas amazônica sobre o Irapuru.

Uma das narrativas conta que um jovem índio apaixonou-se perdidamente pela esposa do grande cacique da tribo. Incapaz de viver este amor impossível pediu a Tupã para ser transformado em ave para amenizar a sua dor. Desde então passou a cantar à noite uma bela melodia para fazer a sua amada dormir.

O cacique ficou tão fascinado pelo canto que perseguiu o pássaro para prendê-lo. O irapuru voou para a floresta e o cacique, na perseguição, nela se perdeu para sempre.
Todas as noites o Uirapuru voltava para acalentar os sonhos do seu amor, esperando, também, que um dia, a índia pudesse reconhecê-lo e despertá-lo do seu encanto.

A outra narrativa conta que duas índias muito amigas apaixonaram-se pelo mesmo guerreiro da tribo. A história do amor das duas se espalhou pela aldeia, e os mais velhos resolveram perguntar ao índio qual das duas ele amava. Mais que uma resposta, confessou seu amor pelas duas.

Pelas tradições da tribo não era permitido o casamento com as duas índias e, assim, o conselho de anciões da tribo decidiu: “o guerreiro casaria com aquela que primeiro conseguisse flechar um marreco voando”.

O casamento foi realizado. A índia que perdeu foi ficando cada vez mais triste, pois não suportava a impossibilidade de realizar seu grande amor e a saudade da amiga Procurou um lugar distante e começou a chorar. Chorou tanto, que suas lágrimas se transformaram num riacho.

Inconformada com aquela situação implorou a Tupã para ser transformada num pássaro.

Tupã compadecido atendeu-a dizendo: “de hoje e para sempre serás o irapuru. Terás um canto tão lindo e harmonioso que te livrarás de teu sofrimento.





quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O SACI PERERÊ.


O Saci é um menino fantástico, brasileiro, negro. Tem uma só perna e olhar muito esperto. Costuma vestir uma touca vermelha e trazer na boca um cachimbo porque gosta de fumar. Muita gente o tem como um ser maléfico. Mas isso é exagero. O Saci é endiabrado, mas não diabólico. É mais dado a brincadeiras que a malefícios. Astuto, diverte-se fazendo gozações, dando sustos, aprontando trapalhadas.
Segundo o folclorista Câmara Cascudo, o Saci – pronto e acabado como conhecemos – é originário do sul do Brasil. Em Roma e Portugal há seres semelhantes a ele. E, recentemente, há quem diga ter notado sua presença na Austrália, em Madagascar e na famosa excursão Londres – Liverpool – Dublin.
No Mato grosso há um pássaro, o carapuço vermelho, cujo assobio faz lembrar o assobio com o qual o saci anuncia sua presença nas matas e fazendas.
Assobia e surge num redemoinho. Começam então as suas estripulias: apaga a luz, assusta as galinhas, quebra louças, faz o leite talhar, mija na água do poço... Ele gosta de trançar a crina dos cavalos e de cavalgar. E de apavorar quem caminha em estradas solitárias.
Ultimamente vem se registrando a migração do saci: ele está deixando o campo pela cidade. Nos centros urbanos costuma permanecer invisível, mas sua presença tem sido detectada em várias situações estranhas. Assim, há indícios de sua presença nas situações que podem ser enunciadas como expressões: “não sei como...”, “que raiva...”, “justo agora...”, “onde será...”, “quem foi...”, “não entendo...” e outras tantas. Como exemplos escolhidos pelos estudiosos, vão a seguir frases indicativas de que o saci anda por perto de quem as pronuncia:
- “Não sei como pude esquecer meu guarda-chuva!”.
- “Que raiva! Tinha que pingar esse maldito molho na minha roupa?!”.
-“Justo agora que eu sentei para ver a novela esse telefone toca...”.
-“ Onde será que foi parar o lápis que estava aqui agora mesmo?”.
-“ Quem foi que deixou a porta da geladeira aberta?”.
-“Não entendo...Como fui perder a chave outra vez?”.
No campo, o nome comum da espécie desse ser fantástico é Saci ou Saci-Pererê. Na cidade, cada Saci gosta de se individualizar, adotando um nome próprio, como, por exemplo, Wilson Pereira. Outra diferença diz respeito aos presentes que as pessoas dão ao saci para evitar que ele apronte das suas. No campo, o Saci deixa-se cativar por presentes simples: um pedaço de fumo de corda, uma garrafa de licor de pequi, meio quilo de goiaba-cascão ou um facão guarani. Na cidade os presentes são outros, como um radinho de pilha, óculos escuros, tênis, goma de mascar sabor tutti-frutti, wisky escocês, camisetas com a inscrição I love saci! Ou outras do gênero.
A lista não tem fim porque o Saci urbano é insaciável...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O CONTO DE FADAS DO SÉCULO XXI.


 QUALQUER SEMELHANÇA É MERA COINCIDÊNCIA.


Era uma vez uma linda moça que perguntou a um simpático rapaz:

- Amor, você quer casar comigo?

Ele respondeu:

- NÃO!

E a moça não se deu por vencida, viveu feliz para sempre. 
Foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes, visitou vários  lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas todas as vezes  que tinha vontade e ninguém dava palpites tão pouco não mandava nela.


Quanto ao rapaz, bem... não teve a mesma sorte.


O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER.

FIM!!!


Ahahahah, me desculpem rapazes.
Eu recebi esta história por e-mail de um amigo e não podia deixar de publicar.

Nada pessoal, mas este conto é simplesmente genial.



terça-feira, 10 de novembro de 2009

MATINTAPEREIRA.

Nessas ocasiões, quando vê uma pessoa, solta um grito – ou será um piado? – assustador, que atravessa as matas, como se dissesse “ – Matintapereira...”.

E assim, gritando, vai se aproximando das casas. Como ninguém sabe o que anda fazendo nem o que pretende... “ – Lá vem a Matintapereira.
Vamos, rápido! As janelas, as portas, é preciso fechar tudo já!”.

São as pessoas
assustadas, querendo impedir que ele entre, pois dizem por aí que possui poder suficiente para provocar doenças nos humanos.

Também dizem que gosta muito de receber presentes, e adora café e fumo. Por isso, quando uma pess
oa bater à porta pela manhã – e for a primeira a fazê-lo – e pedir café, essa será a Matintapereira.

Pode ser que não seja verdade, mas pelo sim, pelo não, é melhor convidá-la para entrar e repartir o café da manhã com toda a família.

Ah, e também é bom espalhar alguns presentes em volta da casa. Coisas de enfeitar, porque ela gosta de caprichar na sua aparência, mesmo toda vestida de negro.

Lá vai a Matintapereira em sua pose de viúva negra, afastando as plantas com um pauzinho, à procura de presentes.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A LENDA DA CESTARIA.


Há muitos e muitos anos, nas profundezas do Rio Paru de Leste, afluente do Amazonas, e mais precisamente na divisa com o rio Axiki, vivia a serpente Tuluperê, conhecida popularmente como a cobra-grande.

Ela tinha um comprimento fora do comum. A pele, desde a cabeça até o final do corpo, apresentava as cores vermelha e preta. E reunia características da sucuriju e da jibóia.

Tuluperê virava embarcações que navegavam nas águas dessa divisa e, quando conseguia pegar uma pessoa, apertava-a até matar e dela se alimentava.

Um dia, os índios da nação Wayana, da família linguística Karib, com a ajuda do Pajé, líder religioso, conseguiram matar Tuluperê, depois que a atingiram com muitas flechas.

Nessa ocasião, viram os desenhos da pele da cobra-grande, memorizando-os.
A partir daí, passaram a reproduzí-los em todas as suas peças de cestaria.

domingo, 8 de novembro de 2009

A LENDA DO CORPO SECO.


Segundo conta a lenda, Corpo-Seco é a denominação dada para um homem que passou pela vida semeando malefícios e que seviciou a própria mãe.

Ao morrer, nem Deus nem o Diabo o quiseram, e a própria terra o repeliu enojada de sua carne. Um dia, mirrado, defecado, com a pele engelhada sobre os ossos, da tumba se levantou em obediência  ao seu fado, vagando e assombrando  as pessoas na calada da noite.
Dizem que vive grudado em árvores secas.


Pobre mulher certa vez, conta-se no sertão, amadora dos bons guisados de urupês (orelha de pau) vagava pela mata para colher os apetecidos, quando se deparou caído um pau-piúca, onde abrolhavam os saborosos parasitas, alvos muito alvos como pipocas. 
Colhia-as quando, no desvendar a parte extrema do madeiro, se tomou de pavor e muito susto ante dois olhos escarninhos que a fitavam, e disparou a correr desorientada sob o riso cachinado do corpo seco a chancear da peça que pregou à pobre mulher.

Essa criatura fantástica  é conhecida em Minas Gerais, Paraná,Santa Catarina, Amazonas, nordeste do Brasil  e, principalmente, no estado de São Paulo, onde em determinadas áreas se costuma dizer que quando algum incauto tem a infelicidade de passar perto de um Corpo-Seco, este salta sobre ela e suga seu sangue como se fosse um vampiro . Luís da Câmara Cascudo, por exemplo, diz que o "Corpo-Seco é a morada do espírito estridente que vaga depois da meia noite, enchendo de medo os que ouvem a ressonância dos gritos apavorados. Condenado a uma pena terrível, a alma dos grandes pecadores reside, durante o dia, no Corpo-Seco, múmia esquecida e sem história , no deserto dos cemitérios".


Este é um aviso para quem vive se encostando em árvores, principalmente na calada da noite: o corpo seco pode estar esperando por você.

sábado, 7 de novembro de 2009

O MAJESTOSO BAOBÁ MARIA GORDA.

“Sorte por longo prazo
a quem me beija e respeita
mas sete anos de azar
a cada maldade, a mim feita.”
(1627)

Na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, mais precisamente na Praia dos Tamoios, reside uma velha senhora de noventa e dois anos, chamada “Maria Gorda”.

Lá ela vive placidamente, cercada de passarinhos, de frente para o mar. Ninguém a molesta.

Conhecida de todos na ilha ela é respeitada e querida, um patrimônio de lugar.

Vinda de Manaus, em 1907, lançou suas raízes nos Tamoios, pelas mãos do Dr. José Caetano de Almeida Gomes, médico, professor e famoso pesquisador em Botânica. Começou a crescer e a engordar e tanto engordou que recebeu o apelido vigente até hoje: Maria Gorda. Título que não lhe causa o menor aborrecimento. Ela é gorda mesmo… Seu tronco já está com três metros de diâmetro, mas com o passar dos tempos ainda ficará mais encorpado, posto que suas irmãs de espécie chegam a viver trezentos anos e alcançam setenta metros de altura com diâmetro de oito metros!

Abençoada Maria Gorda! Abençoado baobá, trazido pequeno para Paquetá! Hoje, ereto, com suas grossas raízes e seus galhos imensos parece um gigante zelando por todos nós e pela terra que o acolheu.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O ENCANTADO DOM SEBASTIÃO E A ILHA DE LENÇÓIS.



“ Na praia dos Lençóis, entre os municípios de Turiaçu e Curupuru, no Maranhão, nas noites de sexta-feira, não havendo luar, aparece um grande touro negro com uma estrela resplandecente na testa. Quem estiver na praia será tomado de um pânico irresistível (...).Quem tiver a coragem de ferir o touro na estrela radiante vê-lo-á desencantar e a aparecer El-Rei D. Sebastião. A cidade de São Luís do Maranhão submergir-se-á totalmente, e diante da praia dos Lençóis emergirá a Cidade Encantada, onde o rei espera o momento de sua libertação. Na praia dos Lençóis é proibido pelos pescadores levar-se qualquer recordação local, que tenha sido colhida na praia ou n’água do mar, conchas, estrelas, búzios, algas secas, etc. Tudo pertence a El-Rei D. Sebastião e é sagrada sua posse”.

Dom Sebastião foi o rei português que morreu em 1578, aos 24 anos, quando se lançou com seus soldados em uma temerária aventura guerreira no Marrocos, na esperança de converter os mouros em cristãos. Ele desapareceu na famosa batalha de Alcácer Quibir, durante o qual o exército português foi quase dizimado pelas forças inimigas, e como o seu corpo jamais foi encontrado, muitas lendas foram criadas pelos crédulos e otimistas, todas alimentando o sonho de que um dia Dom Sebastião retornaria à sua terra para libertá-la do domínio espanhol, restaurando dessa forma o império português.
Uma dessas histórias sustenta que o soberano costuma aparecer nas noites de lua cheia em uma das praias da ilha dos Lençóis, que por sua vez está localizada no arquipélago de Maiaú, lado ocidental da cidade de São Luís.
Reza a lenda que o rei sempre se deixa ver na forma de um touro encantado, aguardando esperançoso que algum corajoso finalmente apareça e o liberte da maldição que o colocou naquela situação. E, também, que ele mora em um palácio de cristal que sempre se ergue no fundo do mar, próximo a ilha, mas não consegue sair de lá, por mais que tente, porque seu navio não encontra a rota correta que o leve de volta a Portugal.
A mesma versão garante ainda que a Ilha dos Lençóis é encantada, e que se tomou morada do rei português porque os montes de areia nela formados pelo vento, se assemelham aos existentes no campo de Alcácer Quibir, onde Dom Sebastião desapareceu.O touro negro que esconde a figura do rei português tem uma estrela de ouro na testa, e se alguém conseguir tangê-la, ferindo o animal, o reino será desencantado, a cidade de São Luís irá submergir e em seu lugar surgirá à cidade encantada que guarda os tesouros do rei.
Também o dia em que a testa estrelada do touro for atingida por algum cidadão desassombrado, o rei será libertado do encanto maligno que o transformou em animal e emergirá de vez das profundezas do oceano.
Dom Sebastião I (1554 - 1578), décimo sexto rei de Portugal, herdou o trono em 1507, quando tinha apenas três anos de idade. Aos 14 anos, quando finalmente assumiu o trono, o jovem soberano tinha a saúde débil, o espírito fraco e a mente sonhadora, razão pela que ao invés de administrar o vasto império de que era senhor, formulava planos para batalhas imaginárias e conquistas retumbantes, além de projetos visando à expansão da fé católica, profundamente convencido de que seria ele o capitão de Cristo numa nova cruzada contra os mouros do norte de África.Por esta razão começou a preparar-se para a expedição contra os marroquinos da cidade de Fez.

    E quanto a Dom Sebastião, provavelmente morreu na batalha ou depois de   aprisionado. Mas para o povo português de então, o rei havia apenas  desaparecido, e por isso passou a esperar por seu regresso


O poeta Fernando Pessoa dizia:
 

"Quando é melhor, quando há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!"

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A LENDA DA SERPENTE.

Em uma tarde nublada uma mãe desesperada corta a praça em direção a matriz, trazia no colo seu rebento que chorava faminto. Pelo que a história conta esta criança nascera de um amor proibido e amaldiçoado pelo destino, por ser o menino filho de um mistério.
Desesperada a mãe do menino aos pés da santa do altar mor da igreja Matriz largou o seu filho.
O que se fala e que o menino cresceu e em uma serpente se transformou e embaixo dos pés da santa sua cabeça ficou e tendo o resto caudal com a ponta virada para ponte do pontal.
Pôr mais carinho que a Nossa Senhora a ele deu, o menino revoltado cresceu. E ainda não citado, é que o menino é o neto do chifrudo.
A mãe que o rebento pariu, a loucura a consumiu.
E fala o povo que em certa hora de certa época, ouvem-se gritos de uma mulher histérica respondendo ao choro de um recém nascido.
Um tal menino, dizem pôr ai que a igreja esta afundando, porque a serpente de vez em quando se mexe tentando livras-se dos pés de Nossa Senhora.
E se você não acredita, vai a lateral da igreja e veja, pois a parte traseira esta mais alta que parte da frente.
E se mesmo assim você não acreditou, sente na praça espere o tal dia e há tal hora.Mas quando ouvir os gritos e se você estiver sozinho, corre, pois o choro que vai ouvir e do chifrudinho mar dito...



( Lenda da Cidade de Paraty/RJ)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A FORMAÇÃO DE UM LEITOR.


Hoje eu trago para vocês um outro tipo de história - a minha história.
Espero que gostem.
......................

Lembro-me de minha avó materna, uma analfabeta que lavava roupas para sobreviver e criar doze filhos; que ao deitar, contava-me a história dos espíritos esquecidos presos numa velha sacola de couro planejando uma vingança mortal àquele que, por egoísmo, manteve-os presos por tanto tempo. Com medo dessa tal vingança, passei a vida repassando as histórias que ouvia: primeiro para meus colegas de classe; mais tarde para meus filhos e hoje continuo recontando para alunos, vizinhos, amigos da internet e quem de mim se aproximar. 
Tornei-me uma devoradora de livros, passaria o dia citando autores, livros e artigos de minha preferência, porque desde pequena fui enredada pelas tramas das histórias, cantigas de roda e cordéis, por esse mundo sem fronteiras onde eu também pudesse fazer uma blusa amarela com três metros de entardecer e, sobretudo,  com a possibilidade de um dia vir a resgatar uma parte desse material oral que ainda circula, principalmente lá pelo norte e nordeste, onde o mito sebástico que tanto me encanta foi muito presente por ocasião da colonização.
Até bem pouco tempo, numa crise existencial, não conseguia compreender a minha função aqui neste plano, até que num belo dia, sentada numa cadeira, um ‘Estalo de Vieira’ iluminou a minha mente e me apercebi contadora de histórias. Hoje, professora de Português e Literaturas, fico triste só de pensar que aquilo que foi um alimento para mim durante os anos em que crescia, não é praxe em muitos lares no mundo contemporâneo.
O mundo contemporâneo trouxe lá seus benefícios, mas deixou as pessoas muito embrutecidas e essa ausência de sensibilidade embota os sentidos. A educação pela arte mexe com essa oportunidade de vir a exercer esse domínio máximo das faculdades intelectuais ao buscar esse olhar diferenciado para formalizar a palavra, o traço, a cor, o som.
Precisamos depurar os nossos sentidos – isso é urgente se queremos um mundo mais justo e com menos violência. E essa depuração vem através desse objeto lírico tão maravilhoso que é a história. Como professora e sonhadora sinto-me na contramão do mundo porque quero resgatar esse algo que existe dentro de nós, que é essa humanidade que ficou perdida em meio a essa aldeia global, essa sociedade insensível e fragmentada; essa mesma sociedade que nos tirou a possibilidade de criar, pois com toda facilidade, ficamos frente a tudo pronto, sem poder agir. Isso nos deixa um enorme vazio, não cria um significado entre nós e o objeto.
Acredito num mundo melhor através do exercício da leitura, da reflexão. Pois o maior bem que podemos deixar para os nossos filhos é o afeto e uma boa educação: com amor, toda criança será confiante e segura como um rei, não se violentará para agradar os outros e será afinada com o próprio eixo. E se transformará  num adulto bem resolvido, porque a lembrança da infância terá deixado nela a dimensão da importância que ela tem.Gostaria de terminar esta reflexão que trago para vocês no dia de hoje relembrando a nossa poetisa Cecília Meireles, literatura é nutrição, é algo muito mais profundo do que um simples entretenimento, pois o alimento faz parte da nossa história biológica e o alimento quando é de qualidade vai dando ao aluno uma visão de mundo diferenciada para toda vida, tornando um adulto mais equilibrado e mais preparado para se relacionar com o mundo.

Saudações Florestais !

Silvana G.Nunes

( professora, pesquisadora, contadora de histórias e brincante).

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A MOÇA E A VELA.


A moça estava tão distraída, a pensar nos seus amores e naquele que esperava, que nem pavor sentiu. Foi como se não tivesse visto nada.
O desconhecido saudou-a e, apagando a vela, pediu-lhe que a guardasse até a sua volta. Maquinalmente a rapariga foi colocar a vela sobre o leito e, quando voltou, já não encontrou mais o desconhecido.
Pra variar, nem se lembrou dos conselhos da mãe e a aparição não lhe causou o menor abalo. Continuou à janela toda preocupada com seus pensamentos de amores.
Às duas da madrugada, quando as almas penadas se recolhem, ela ainda estava apreciando a noite. O desconhecido chegou-se rapidamente e pediu-lhe a vela. A moça foi buscá-la no leito, mas soltou um grito de horror. Ao invés da vela, estava sobre a sua cama um enorme esqueleto. A caveira ergueu-se e foi, diante de seus olhos, saindo pela janela como uma pluma, fazendo um barulho aterrorizador.
Desde esse dia a moça ficou abobada, pateta, rindo e chorando à toa e passou a servir de exemplo a todas as filhas desobedientes, no lugar onde esse caso se deu.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O DIA DE TODOS OS MORTOS.

O dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. É um dos cultos mais antigos, presentes  em quase todas as religiões.
A princípio era ligado aos cultos agrários e de fertilidade: para os mais antigos, os mortos eram como sementes, e por isso eram enterrados com vistas à ressurreição.
O dia dos Mortos, na prática da Igreja católica,surgiu como uma ligação  suplementar entre mortos e vivos e o mundo acabou aderindo tal prática.
Desde o século 1º os cristãos rezam pelos falecidos, a princípio os mártires. No século IV  já encontramos a Memória dos Mortos na celebração da missa. Mais foi  a partir do século XIII que o dia anual dos mortos é comemorado no dia 02 de novembro, porque no dia 1º é a "Festa de Todos os Santos".


31/10- Véspera do dia de Todas as Almas: em inglês "All Hallow's Eve"  (reduziu-se para "Halloween") - celebra  todos os que morreram  e foram condenados ao inferno ( esse dia não é reconhecido no calendário cristão ou católico)
01/11 - Dia de Todas as Almas ou Todos os Santos : celebra todos os que morreram  em estado de graça e não foram canonizados.
02/11 - Dia de Todos os Mortos ou Finados : celebra todos os que morreram.

No Rio de Janeiro, e em muitas cidades do Brasil,o dia dos mortos é objeto de uma cerimônia verdadeiramente imponente, durante a qual é impossível não se  experimentar alguma comoção. A igreja de São Francisco de Paula, também chamada de Cáritas a mais procurada entre os fiéis, pois é célebre pelos milagres atribuídos  à imagem do seu patrono, que se supõe restituir a vida aos moribundos e, também, pela espécie de proteção  que São Francisco concede aos ossos que não pode salvar. Ao entrar pela capela, passará por uma longa galeria, cujas paredes estão cobertas  de votivas e de quadros representando pessoas enfermas em seus leitos, ou indivíduos sofrendo diversos acidentes. A todos São Francisco aparece descendo do céu sobre uma nuvem. Acredita-se que se livra sempre do perigo  aqueles quem desta maneira se mostra. Nada é mais variado que estes ex-votos: pernas, braços, cabeças, seios e outras partes do corpo humano, executados em cera com espantosa veracidade.


A morte é o inevitável fim, o ponto final, a passagem desta para a outra, que não sabemos se  melhor ou  pior. É ainda o maior mistério da vida.
Muitos contos de fadas terminam como "viveram felizes para sempre". Na vida real em que para sempre não existe, o máximo que se pode almejar é ser feliz até morrer.
A morte faz parte da vida e está dentro da categoria das pouquíssimas certezas  que podemos ter. Um dia ela chega, e isso serve para todos. O que nos diferencia uns dos outros é a forma de encará-la.
Nas culturas ocidentais, a partir do século XIX há uma mudança de mentalidade influenciada pelo iluminismo. Com o avanço do individualismo, diminui-se a imposição do enterro dentro dos templos. Nascem aí os cemitérios. Mas a morte como tema literário é uma marca do período romântico.

Ao longo da civilização ocidental, a morte ainda é um dos principais tabus, é tudo pelo qual se evita falar por pudor, crença ou superstição: uma interdição de ordem cultural e social.
Por causa disso foram criadas diversas  supertições em torno da morte:

• Quando morre uma pessoa, deve-se abrir todas as portas para a alma sair. Fecham-se porém os fundos da casa. A alma deve sair pela frente. A casa não deve ser fechada antes de sete dias pois o fel (as vísceras) do defunto só se arrebentará nesse prazo. Então a alma vai para o seu lugar. A novena de defunto é para a alma ir para onde foi destinada.

• Não se deve chorar a morte de um anjinho, pois as lágrimas molharão as suas asas e ele não alcançará o céu.

• Quando numa procissão, o féretro pára defronte de alguma porta de uma casa, é isso presságio de morte de alguma pessoa dessa casa.


• Homem velho que muda de casa, morre logo.

• Acender os cigarros de três pessoas com um fósforo só, provoca a morte da terceira pessoa. Outra versão: morrerá a mais moça dos três fumantes.

• Derrubar tinta é prenúncio de morte.

• Quando várias pessoas estão conversando e param repentinamente, é que algum padre morreu.

• Perder pedra de anel é prenúncio de morte de pessoa da família.

• Quando uma pessoa vai para a mesa de operação, não deve levar nenhum objeto de ouro, pois se tal acontecer, morre na certa.


• Doente que troca de cama, morrerá na certa

• Se acontece de se ouvir o som de uma coruja, é sinal de má notícia.

• Defunto que fica com o lóbulo da orelha mole, é indício de que um seu parente o segue na morte.

• Quando o defunto fica com os olhos abertos é porque logo outro da família o seguirá.

• Não se deve trazer terra do cemitério quando se volta de um enterro, pois ela traz a morte para a casa.

E vai por aí vai ...

Ao contrário de nós e não muito longe daqui, todos os anos durante a noite do dia 1º de novembro, os nossos irmãos mexicanos têm um encontro muito importante com a morte. 
Povoados inteiros vão aos cemitérios para honrar os restos de seus finados.Levam flores, comida, doces, velas e tequila. As tumbas se vestem de festa porque nesta noite, os defuntos vêm de visita.
Os mortos revivem nas lembranças dos vivos, que evocam suas maneiras de ser, seus gostos, suas virtudes e defeitos. 
Entre as almas esperadas e os vivos, se estabelece um diálogo intenso. Mas, a celebração também é feita em muitos lares mexicanos, com o tradicional Altar dos Mortos, que é uma oferenda feita para honrar aos familiares falecidos, já que segundo a crença popular, eles visitam seus lares e suas famílias neste dia.


É uma celebração feita de forma festiva, pois leva a idéia de renovação da fertilidade. O culto aos mortos no México é uma maneira de dizer que a memória de seus seres queridos ocupa o lugar sagrado que corresponde a um altar, onde são levadas flores, adornos, doces e alimentos, cada um dos quais tem um significado especial. 

Postas junto ao altar tradicional dos santos ou na mesa principal da casa, a oferenda mostra variações regionais, ao mesmo tempo que compartilha certos elementos formais. Uma mesa ou prateleira coberta com uma toalha, preferencialmente branca com bordados que na atualidade, em algumas ocasiões foi substituído por uma toalha de plástico estampado, são a base para qualquer altar na República Mexicana. Na frente ou atrás da mesa, em algumas ocasiões se pendura flores de papel, papéis recortados, que acompanham as fotografias dos parentes que se foram, geralmente colocadas entre vários vasos de flores, especialmente as "cempoatxóchitl", conhecidas no Brasil como cravos de defunto. Na frente da mesa, sobre uma esteira nova, pode-se colocar um ou mais incensários.


Também pode integrar a oferenda alguma vestimenta ou objeto emblemático do defunto. São colocadas imagens de santos e velas para iluminar as oferendas, a comida favorita do morto é preparada e colocada no altar, geralmente em vasilhas de barro, junto com sua bebida preferida.
Caveiras de açúcar, pães especiais (pan de muerto, que tem formato de gente e é decorado com tirinhas brancas que representam ossos), frutas e doces são colocados no altar. 
Os quatro elementos, água, terra, fogo e ar, também  são representados no altar. A água vem numa pequena vasilha, presença física, para que o morto possa lavar-se após chegar do longo caminho poeirento que separa o reino dos vivos do reino dos mortos. O fogo aparece na chama das velas e a terra vem representada por seus frutos. O ar é representado pelo papel de seda (papel picado), devido a sua leveza.

A festa de mortos é uma das tradições mais enigmáticas da cultura mexicana. Mistura de antigas crenças indígenas e elementos da religiosidade católica, é, por definição, uma mostra do sincretismo que caracteriza a cultura do México.
Assim, enquanto para os europeus, a simples menção da morte é um tabu, como a recusa do pensamento pudesse evitar o acontecimento, o mexicano se familiariza com a idéia desde a mais tenra idade.


A visita anual dos mortos não é uma ocasião de luto, mas sim motivo para celebrar uma grande festa, na qual as famílias contam piadas e também choram. Nesta noite, a vida e a morte são uma só coisa. Os defuntos apenas se adiantaram no caminho que todos empreenderemos.
Assim como os astecas deviam agradar aos seus deuses do passado, os mexicanos têm de agradar seus antepassados, que esperam as oferendas, e as lembranças... 

( Fonte: Consulado Geral do México )

...........................

Bem, seja lá como for, enquanto  a morte não vem a gente se inspira e cria. 
Assim, quando ela chegar - a indesejável das gentes - é certo de que estaremos plenos  de literatura e de poesia.

Que a PAZ e o BEM estejam sempre conosco .


Saudações Florestais !

domingo, 1 de novembro de 2009

A LENDA DO CABEÇA DE CUIA.

Sete Marias
Precisa tragar
São sete virgens
Pro encanto acabar

Quando o rio
Em cheia desce
Cabeça de cuia
Sempre aparece

Rema pra margem
Oh! Velho pescador
Que a curva do rio
O monstro apontou

Castigo tremendo
Que Deus lhe deu
Por bater na mãezinha
Crispim se encantou

Tem medo, oh! Maria
Que estás a lavar
O cabeça de cuia
Te pode tragar


(Canção popular atribuída a Chico Bento)

Assim começa a história de Crispim, um jovem rapaz originário de uma família muito pobre, que vivia na pequena Vila do Poti (hoje, Poti Velho, bairro da zona norte de Teresina). Seu pai, que era pescador, morreu muito cedo, deixando o pequeno Crispim e sua velha mãe, uma senhora doente, sem nenhuma fonte de sustento. Sendo assim, Crispim teve que começar a trabalhar ainda jovem, também como pescador.

Um dia, Crispim foi a uma de suas pescarias, mas, por azar, não conseguiu pescar absolutamente nada. De volta à sua casa, descobriu que sua mãe havia feito para o seu almoço apenas uma comida rala, acompanhado de um suporte de boi (osso da canela do boi).
Como Crispim jazia de fome e raiva, devido à pescaria fracassada, enfureceu-se com a miséria daquela comida e decidiu vingar-se da mãe por estarem naquela situação. Então, em um ato rápido e violento, o jovem golpeou a cabeça da mãe, a deixando a beira da morte. Dizem, até mesmo, que de onde deveria sair o tutano do osso do boi, escorria apenas o sangue da mãe de Crispim.

Porém, a velha senhora, antes de falecer, rogou uma maldição contra seu filho, que lhe foi atendida. A maldição rezava que Crispim transformasse-se em um monstro aquático, com a cabeça enorme no formato de uma cuia, que vagaria dia e noite e só se libertaria da maldição após devorar sete virgens, de nome Maria.

Com a maldição, Crispim enlouquecera, numa mistura de medo e ódio, e correu ao rio Parnaíba, onde se afogou. Seu corpo nunca foi encontrado e, até hoje, as pessoas mais antigas proíbem suas filhas virgens de nome Maria de lavarem roupa ou se banharem nas épocas de cheia do rio.
Alguns moradores da região afirmam que o cabeça de cuia, além de procurar as virgens, assassina os banhistas do rio e tenta virar embarcações que passam pelo rio.

Outros também afirmam que Crispim ou, o cabeça de cuia, procura as mulheres por achar que elas, na verdade, são sua mãe, que veio ao rio Parnaíba para lhe perdoar. Mas, ao se aproximar, e se deparar com outra mulher, ele se irrita novamente e acaba por matar as mulheres.

Só sei que o  cabeça de cuia  até hoje não conseguiu devorar nem uma virgem de nome Maria. 
Mesmo assim, todo cuidado é pouco.



                                        Saudações Florestais !

sábado, 31 de outubro de 2009

HISTÓRIAS DE TRANCOSO.


Tudo começou com o escritor português de nome Gonçalo Fernandes Trancoso
após publicar o livro "Contos e Histórias de Exemplo", em Portugal no

éculo XVI.Este livro foi editado pela primeira vez no ano de 1575, passou a ser uma
referência nos contos populares.
A expressão "histórias de Trancoso" é muito comum em Portugal e no Brasil,
passando a denominar todo conjunto de histórias populares transmitidas pela
tradição oral.

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QUEM TE MATOU ?

Um homem, certo dia, saiu da cidade andando a pé, e junto a uma porteira, longe de habitações, deu com uma caveira feia como só podem ser a morte e o pecado.

Levianamente, deu-lhe um pontapé e caçoou:

- Quem te matou, caveira?

Mas qual não foi o seu espanto, quando, com um estalar dos ossos muito brancos, lavados de chuva e estorricados ao sol, a caveira respondeu:

- Foi a língua.

O pavor o sacudiu com ímpeto. Saiu por ali afora numa doida carreira, e dentro de pouco tempo estava novamente na cidade. Na sua excitação, contou a toda gente o que lhe acontecera.

- Não pode ser - diziam.

- Foi. Juro. Eu vi. Eu ouvi. Junto a uma porteira.

- Uma caveira falando? Alucinação, meu amigo.

- Verdade.

Alguns acreditavam, outros não. A maioria, não. Mas a notícia correu a cidade, cercou-a, voou até o palácio do rei.

O rei mandou chamar o moço.

- Que história é essa?

O moço contou tudo, ainda se arrepiando de se lembrar do susto.

- Ela respondeu, juro, majestade.

O rei se desencostou do trono e, com um dedo em riste, sacudindo-o diante do nariz do moço, falou:

- Vou lá ver isso. Sou curioso. Mas veja lá, se for mentira sua, e você me fizer bancar o bobo, eu te mando pendurar na primeira árvore que encontrarmos.

- Foi verdade, majestade - murmurou o moço.

Aprestara, então, um grande cortejo. Ia adiante o rei no seu cavalo branco, ricamente ajaezado, com aperos de ouro e prata. E depois, os nobres, suntuosamente vestidos. E os soldados. Tudo aquilo fulgia ao sol. Bem adiante, caminhava o moço a pé, com as mãos amarradas. Tudo estacou junto à porteira. Parecia uma festa. Os que riam e caçoavam calaram-se ao ver a caveira, tão maligna parecia. Trêmulo, o moço perguntou:

- Quem te matou, caveira?

A caveira quieta estava e quieta ficou.

O moço pensou que talvez tivesse falado muito baixo. Em voz mais alta, mas insegura, interpelou novamente:

- Quem te matou, caveira?

E a caveira, quieta.

- Quem te matou, caveira? - gritava agora, com os olhos esbugalhados, saltadas as veias do pescoço, e um pavor infinito apertando-lhe o coração.

- Quem te matou, caveira? Quem te matou, caveira?

E a caveira muito branca, luzindo ao sol, em silêncio. O moço perdeu a cabeça, começou a dar-lhe pontapés, o golpe soava cavo, e ele ia atrás dela novamente, de um para outro lado, suando, rugindo.

- Quem te matou, caveira?

Apanharam-no, veio o carrasco no seu camisolão vermelho, fez o nó corrediço com dedos ágeis, e o moço ficou enforcado numa árvore à beira do caminho, enquanto a comitiva voltava, aparatosa mas sem animação, para a cidade.

Ficou tudo em silêncio, no campo. Não passava viva alma. Decorreram as horas quentes do dia, anoiteceu. Quando se adensaram as primeiras sombras, aconteceu uma coisa extraordinária. A caveira, que não parecia dotada de movimento, rolou um pouco sobre si mesma e veio, aos pulos. Pulou até chegar sob a árvore onde estava o enforcado. E ali, com o feio buraco das órbitas vazias virado para cima, perguntou:

- Eu não te falei que quem te matou foi a língua?




(In ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro; contos populares do Brasil)



sexta-feira, 30 de outubro de 2009

QUEM TEM MEDO DO CURUPIRA ?


Entre os mitos indígenas, o Curupira é incontestavelmente o mais antigo, companheiro inseparável das crenças populares, de onde se admite a possibilidade de ser verdadeiramente indígena, senão antes legado pela população primitiva que habitou o Brasil no período pré-colombiano e que descendia dos invasores asiáticos.
Curupira, de “curu”, abreviação de “curumim” e “pora”, corpo ou corpo de menino. É a “Mãe do Mato”, o tutor da floresta, que se torna benéfico ou maléfico aos freqüentadores desta, segundo as circunstâncias e o seu procedimento.
Ele possui várias formas apresentando-se através de uma figura de um menino de cabelos vermelhos, peludo, com a particularidade de ter os pés virados para trás, pode Ter os dentes azuis ou verdes e é orelhudo. Todos lhe celebraram as manifestações como guardião das florestas. Para crença em geral, ele o Senhor, a Mãe, o Guardião das florestas e da caça, que castiga a todo aquele que a destrói, premiando a aqueles que não o contrariam no seu desejo de manter a mata viva, e também para aqueles que se mostram solícitos e obedientes.
O Curupira, ora é imperioso e brutal, ora é delicado e compassivo, ora não admite desrespeito ou desobediência, ora se deixa iludir como uma criança. Segundo uma crença generalizada, é o responsável pelos estrondos da floresta.
Assim, quando no meio da mata se ouve um estrondo, que não seja uma trovoada, pode estar certo que o Curupira anda por ali… Sob sua guarda direta está a caça que protege, mas entende o caçador e é sempre propício ao homem que mate de acordo com suas necessidades, ou seja, para matar a fome dos seus filhos.
Mostra-se extremamente hostil ao caçador que persegue e mata as fêmeas quando prenhas ou cause danos aos filhotes. Para estes o curupira vira uma fera e um é inimigo terrível. Consegue iludi-los sob a feição de caça, levando-os longe…
Também é capaz de imitar a voz humana para atrair os caçadores, fazendo-os com que se percam dentro da floresta deixando-os no mato abandonados à fome e ao desamparo. Além de ser protetor dos animais, o Curupira é considerado o Senhor das Árvores.
Ele cuida de todas, protege as mudinhas, admira as grandes e bela árvores da floresta. Dizem que armado com um casco de jabuti, bate nas árvores para ver se conservam-se fortes para resistir as tempestades.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A ÁRVORE DE TODOS OS FRUTOS.

Nas terras de Roraima havia uma montanha muito alta onde um lago cristalino era expectador do triste amor entre o Sol e a Lua. Por motivos óbvios, nunca os dois apaixonados conseguiam se encontrar para vivenciar aquele amor.
Quando o Sol subia no horizonte, a lua já descia para se pôr. E vice-versa. Por milhões e milhões de anos foi assim.
Até que um dia, a natureza preparou um eclipse para que os dois se encontrassem finalmente.
O plano deu certo. A Lua e o Sol se cruzaram no céu. As franjas de luz do sol ao redor da lua se espelharam nas águas do lago cristalino da montanha e fecundaram suas águas fazendo nascer Macunaíma, o alegre curumim do Monte Roraima.
Com o passar do tempo, Macunaíma cresceu e se transformou num guerreiro entre os índios Macuxi.
Bem próximo do Monte Roraima havia uma árvore chamada de "Árvore de Todos os Frutos" porque dela brotavam ao mesmo tempo bananas, abacaxis, tucumãs, açaís e todas as outras deliciosas frutas que existem. Apenas Macunaíma tinha autoridade para colher as frutas e dividi-las entre os seus de forma igualitária.
Mas nem tudo poderia ser tão perfeito. Passadas algumas luas, a ambição e a inveja tomariam conta de alguns corações na tribo. Alguns índios mais afoitos subiram na árvore, derrubaram-lhe todos os frutos e quebraram vários galhos para plantar e fazer nascer mais árvores iguais àquela.
A grande "Árvore de Todos os Frutos" morreu e Macunaíma teve de castigar os culpados.
O herói lançou fogo sobre toda a floresta e fez com que as árvores virassem pedra. A tribo entrou em caos e seus habitantes tiveram que fugir.
Conta-se que, até hoje, o espírito de Macunaíma vive no Monte Roraima a chorar pela morte da "Árvore de todos os frutos".

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

AS AMAZONAS.


Na Antiga Grécia, bem antes da vinda de Cristo a Terra, eram narradas histórias sobre mulheres que andavam a cavalo, manipulavam o arco e a flecha com rara habilidade e se recusavam a viver com os homens em seus territórios. Estas exímias guerreiras eram conhecidas como Amazonas, das quais nem os mais destemidos soldados poderiam fugir com vida.

Em 1540, o aventureiro hispânico Francisco Orellana, escrivão da armada espanhola, participou de uma jornada exploratória na América do Sul, atravessando, portanto, o extenso e misterioso rio que cruzava uma das mais temidas florestas. Segundo "A Lenda das Amazonas", ele teria avistado, no pretenso reino das Pedras Verdes, mulheres semelhantes às acima descritas, conhecidas pelos indígenas como Icamiabas, expressão que tinha o sentido de ‘mulheres sem marido’.

Contam os índios que estas guerreiras teriam atacado a esquadra hispânica. Elas eram bem altas, brancas, cabelos compridos dispostos em tranças dobradas no topo da cabeça – descrição feita pelo Frei Gaspar de Carnival, também escrivão da frota.

O confronto entre os espanhóis e as Amazonas foi supostamente uma luta feroz, a qual teve como cenário a foz do rio Nhamundá – localizada na fronteira entre o Pará e o Amazonas. Os europeus foram surpreendidos pelo ataque de inúmeras e belas combatentes desnudas, conduzindo tão somente em suas mãos arcos e flechas. Eles foram assim prontamente derrotados pelas mulheres, pondo-se rapidamente em fuga.

No caminho os espanhóis encontraram um indígena, que lhes contou a história das guerreiras. Segundo o relato do nativo, havia pelo menos setenta tribos de Icamiabas só naquele território. Suas aldeias eram edificadas com pedras, conectadas aos povoados por caminhos que elas cercavam de ponta a ponta, cobrando uma espécie de pedágio dos que atravessavam estas estradas. Elas eram lideradas por uma cunhã virgem, sem contato com o sexo masculino.

Quando, porém, chegava o período de reprodução, as Amazonas capturavam índios de tribos por elas subjugadas. Ao engravidar, sinalizavam seus parceiros e, se nascia um curumim ou menino, elas entregavam a criança aos pais; do contrário, elas ficavam com as meninas e presenteavam o genitor com um talismã verde conhecido como Muiraquitã, similar ao sapo utilizado nos rituais lunares.

Ao ouvirem esta narrativa, os espanhóis, cientes da existência das Amazonas descritas pelos antigos gregos, confundem ambas e batizam o rio onde as encontraram, até então intitulado Mar Dulce, de Rio de Las Amazonas.

Certamente os espanhóis, ao se depararem com selvagens guerreiros de longos cabelos, acreditaram ter encontrado finalmente as tão famosas Amazonas. Deste pequeno equívoco nasceram e permaneceram os nomes do Rio, da Floresta e do maior Estado brasileiro, que abriga o idílico cenário desta miragem hispânica. 
Embora esta história tenha se desenrolado em terras brasileiras, estas lendas são mais disseminadas em outros países, talvez pela associação com narrativas que envolvem ícones adornados com ouro e prata, o que certamente despertava a cobiça dos europeus. 






                                      Saudações Florestais !

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A LOIRA DO BANHEIRO.

Lendas urbanas, mitos urbanos ou lendas contemporâneas são pequenas histórias de caráter fabuloso ou sensacionalista, amplamente divulgadas de forma oral, por e-mails ou pela imprensa e que constituem um tipo de cultura moderna. 
São frequentemente narradas como sendo fatos acontecidos a um "amigo de um amigo" ou de conhecimento público.

Muitas delas já são bastante antigas, tendo sofrido apenas pequenas alterações ao longo dos anos. Muitas foram mesmo traduzidas e incorporadas a outras culturas. É o caso de, por exemplo, a história da loira do banheiro, lenda urbana brasileira que fala sobre o fantasma de uma garota jovem de pele muito branca e cabelos loiros que costuma ser avistada em banheiros, local onde teria se suicidado ou, em outras versões, sido assassinada.

Outras dessas histórias têm origem mais recente, como as que dão conta de homens seduzidos e drogados em espaços de diversão noturna que, ao acordarem no dia seguinte, descobrem que tiveram um de seus rins cirurgicamente extraído por uma quadrilha especializada na venda de órgãos humanos para transplante.

Muitas das lendas urbanas são, em sua origem, baseadas em fatos reais (ou preocupações legítimas), mas geralmente acabam distorcidas ao longo do tempo.

Suas características principais seriam:

* Uma forma narrativa (geralmente uma pequena história, porém bem estruturada)

* Procura sempre se autenticar por meio de testemunhas e provas supostamente existentes

* As pessoas que as contam geralmente às ouviram de alguém e quando repassam a história costumam confirmá-la como se tivesse sido vivida por ela mesma

Com o advento da Internet, muitas lendas passaram a ecoar de maneira tão intensa que se tornaram praticamente universais.


A loira do banheiro é muito famosa entre os alunos de escolas da rede pública na cidade do Rio de Janeiro.
Conta a lenda que uma garota muito bonita de cabelos loiros com aproximadamente 15 anos, sempre planejava maneiras de matar aula. Uma delas era ficar no banheiro da escola esperando o tempo passar.
No entanto um dia, um acidente terrível aconteceu: a loira escorregou no piso molhado do banheiro e bateu sua cabeça no chão. Ficou em coma e pouco tempo depois veio a falecer.
No fim de tudo isso, a menina não se conformou com seu fim trágico e prematuro, sua alma não quis descansar em paz e passou a assombrar os banheiros das escolas.
Muitos alunos juram ter visto a famosa loira do banheiro, pálida e com algodão no nariz para evitar que o sangue escorra. A loira do banheiro é uma história brasileira muito contada nas escolas públicas.
Muitos alunos juram que viram a loira do banheiro. Ela têm pedaços de algodão no nariz para evitar que ele sangre.
Mas cuidado, nunca aperte a descarga por três vezes e nem chute o vaso sanitário com força, pois pode ter uma loira a sua espera, pronta para te atacar. 
Para a Loira do Banheiro, aparecer bastava simplesmente realizar esse ritual para que a horripilante, fantasmagórica e sangrenta aparecesse.

Saudações Florestais !

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A LENDA DO SOL.


Para os índios o Sol era gente e se chamava KUANDÚ.

Kuandú tem três filhos: um é o sol que aparece na seca; o outro, mais novo, sai

na chuva e o filho do meio ajuda os outros dois quando estão cansados.

Há muito tempo um índio Juruna teria comido o pai de KUANDÚ.
Por isso este queria se vingar. Uma vez Kuandú estava bravo e foi para o mato pegar coco.
Lá encontrou Juruna em uma palmeira inajá. Kuandú disse que ele ia morrer, mas Juruna foi mais rápido acertando Kuandú com um cacho na cabeça.
Aí tudo escureceu. As crianças começaram a morrer de fome porque Juruna não podia trabalhar na roça e nem pescar. Estava tudo escuro.
A mulher de Kuandú mandou o filho sair de casa e ficou claro de novo.
Mas só um pouco porque era muito quente para ele.
O filho não aguentou e voltou para casa. Escureceu de novo.
E assim ficaram os 3 filhos de Kuandú, entrando e saindo de casa.
Portanto, quando é seca e sol forte é o filho mais velho que está fora de casa. Quando é sol mais fraco é o filho mais novo.
O filho do meio só aparece quando os irmãos ficam cansados.


domingo, 25 de outubro de 2009

A LENDA DO BEIJA-FLOR.


Existiam duas tribos morando à beira de um rio: uma tribo maior e uma tribo menor.

A tribo menor plantava e pescava com muito afinco e, com isso,começou a ter mais peixe e maior abundância de alimentos. Isto gerou inveja na outra tribo, que começou a hostilizar seus vizinhos, primeiro com palavras, depois com gestos e por fim declararam guerra àqueles que, mesmo em menor número, eram mais trabalhadores e eficientes.
Indiferente a estas questões, dois jovens se enamoraram, porém cada qual pertencia a uma tribo. O rapaz pertencia à tribo menor e a jovem à tribo maior. Apesar da guerra, os dois se encontravam às escondidas, mas um dia os guerreiros da tribo da jovem a seguiram e os encontraram namorando. Depois de espancar o rapaz e pensando que ele já estivesse morto levaram a jovem de volta à tribo.

O Conselho dos Anciãos foi convocado para o julgamento da pobre jovem. A acusação era de traição, já que as tribos estavam em guerra e eles acreditavam que ela passava segredos para a outra tribo. A sentença era de morte, mas por ela ser muito jovem e bela, convocaram o Pajé que resolveram transformá-la numa flor.
O rapaz, socorrido por seus guerreiros, sobreviveu ao espancamento e, tão logo se recuperou passou a procurar desesperadamente pela sua amada. Ele chamou os anciãos e anunciou que iria até a outra tribo em busca de seu amor. Eles não permitiram tremenda loucura e tentaram, de toda forma, impedi-lo.
Afirmaram que na sua tribo existiam lindas moças que poderiam ser boa esposa e dar-lhe filhos fortes e saudáveis. O rapaz estava irredutível e os anciãos, vendo tamanha decisão e tristeza do jovem, chamaram o pajé para ajudá-los. Depois de muito pensar e sabendo que a jovem amada tinha sido transformada em flor decidiram transformá-lo em Beija-Flor.

E por isto que o Beija-Flor vai de flor em flor, sempre tentando achar a sua amada.

sábado, 24 de outubro de 2009

O BOTO ROSA.


Na mitologia Amazônica, encontramos o Boto Rosa, que tem o poder de emergir das águas do rio a noite, e se transformar num belo homem, para seduzir as muheres que se sentem atraídas pelo seu estranho fascínio. Apresenta-se sempre de terno rosa ou branco e traz um chapéu também rosa ou branco para ocultar os orifícios que estão em sua cabeça e pelos quais respira.

A lenda do boto rosa está ligada aos ribeirinhos, às festas juninas, aos bailes caseiros e populares, quando então, todos se encontram para as festividades e as moças colocam seus trajes mais bonitos, se enfeitam e aproveitam para namorar, enquanto seus pais conversam distraídos e alheios a tudo.
Nessas noites, geralmente de luar, o Boto aparece em forma de um homem alto, bonito, com um chapelão na cabeça.
Gentil e cavalheiro, todas as moças ficam encantadas e se deixam levar por sua beleza. E ele então, escolhe a mais bonita e a leva para a praia ou a beira do rio.
E ali, tece e acontece. E amor vinga de uma maneira, simples e direta, mas cheia de encanto e magia. Só que depois, some e nunca mais é visto pelas redondezas e a garota carrega no ventre o fruto de uma noite de encantamento sem no entanto mostrar-se arrependida do ato consumado.
Dizem que, geralmente nasce um menino, o filho do Boto.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A ONÇA DO CANADÁ.

Hoje é dia de onça
Hoje tem lua cheia
Sai da beira do caminho
Que o perigo rodeia.
Nunca ande sozinho
Na mata que o rodeia.

Essa é uma história muito antiga. Na noite de lua cheia, a onça do Canadá assombra muita gente.
O Canadá é uma localidade próxima dos arredores de Pindaré-Mirim, lá no Maranhão. Quem passasse pela localidade do Canadá e não se benzesse três vezes e rezasse três ave-marias, podia contar que seria atacado pela onça do Canadá.
Numa daquelas noites de lua cheia, uma moça que estava grávida, começou a sentir as dores do parto. Era sexta-feira, a lua estava cheia. O marido, coitado, não teve escolha. Para chegar até a cidade, tinha de passar pela mata fechada onde a onça costumava ficar escondida.
O coitado para não ir sozinho, foi busca o compadre da direita e o compadre da esquerda e como ninguém era besta, cada um levou se facão para se proteger. O outro mais medroso, disse:
- E agora, compadre, e a onça? Vamos encarar a danada?
O outro mais valentão respondeu:
- Usei! Somos três. A gente dá conta do recado.
E lá se foram os três, até que no coração da mata ouviram o som estridente da onça. Ao ouvirem o segundo grito, a onça saltou da moita. Cada um pegou seu facão e partiram para cima da danada. Encurralada, a onça tratou logo de fugir dos três mosqueteiros, mas não escapou de ficar toda retalhada.
O mais surpreendente foi no dia seguinte quando descobriram que uma velha feiticeira, que morava nas proximidades do Canadá, tinha aparecido morta na porta da sua casa, toda cortada e ensangüentada. Chegou-se a conclusão, então, que a onça do Canadá era esta feiticeira que, nas noites de lua cheia, se transformava no tão temido e famigerado animal que mete muito medo até hoje.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A LENDA DO AÇAI.

O açaí, fruto do açaizeiro, palmeira comum na Amazônia, é conhecido pelos indígenas como “iça-iça”, a fruta que chora.
Reza a lenda que num passado distante vivia na região de Belém do Pará, ainda não fundada, uma tribo indígena numerosa que sofria com escassez de alimentos, e por isso muitos de seus membros passavam fome quase diariamente.
Preocupado com esta situação e reconhecendo que o problema precisava ser resolvido de vez, o cacique Itaki se viu forçado a adotar uma medida cruel: para evitar o aumento da população tribal, daquele dia em diante todas as crianças que nascessem na aldeia seriam sacrificadas.
E assim foi feito, o mesmo acontecendo com Iaçã, filha do cacique, que deu à luz a uma bela menina, que acabou sendo morta porque essa era a lei.
A jovem mãe ficou desesperada com a perda de sua filha, e todas as noites ela chorava desolada em sua cabana, pedindo que o deus Tupã mostrasse a seu pai um outro caminho que pudesse impedir o sacrifício de tantos recém-nascidos.
Certa noite a índia ouviu um choro de criança e ao sair de sua morada, avistou sua filha junto a uma palmeira. Por um momento ela ficou paralisada, não acreditando no que estava vendo. Mas logo depois, correu em direção à menina, pretendendo abraçá-la com toda ternura e saudade que guardava no coração. Porém sua filha desapareceu ao aproximar-se da mesma forma que acontece com a fumaça na ventania e por causa desse susto, Iaçã desfaleceu.
Quando o dia amanheceu e o sol raiou, seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira, trazendo no rosto um sorriso de felicidade, com os olhos voltados para os frutos escuros presentes no alto da planta.
Por ordem do cacique Iraki, os frutos da palmeira foram colhidos e com eles se fez um vinho vermelho batizado com o nome de açaí ( Iaçã invertido ) para homenagear a sua filha.
Como a fruta serviu para alimentar satisfatoriamente toda sua tribo, o cacique decidiu que, a partir daquele dia, sua ordem de sacrificar as crianças estava suspensa.

Saudações Florestais !

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A MISSA DOS MORTOS.

Esta é uma das lendas mais tradicionais do Brasil.

Existe um registro muito popular de fatos dessa natureza que aconteceram na Cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, no começo do século XX, por volta de 1900, numa pequena Igreja, que ficava ao lado de um cemitério, a Igreja de Nossa Senhora das Mercês, de Cima.
Quem presenciou uma dessas missas, foi o zelador e sacristão da Igreja. Ele chamava-se João Leite e era muito popular e querido em toda aquela região.
Conta-se que numa noite, já deitado, ele viu luzes na Igreja e pensando que fossem ladrões foi investigar. Para sua surpresa, viu que o templo estava cheio de fiéis, lustres acesos e o padre se preparando para celebrar uma missa.
Estranhou todo mundo de roupas escuras e cabeça baixa. Ainda mais uma missa aquela hora sem que nada soubesse.
Quando o padre se voltou para dizer o "Dominus Vobiscum", ele viu que seu rosto era uma caveira. Viu que também os coroinhas eram esqueletos vestidos. Saiu apressado dali e viu a porta que dava para o cemitério escancarada. Do seu quarto, ficou ouvindo aquela missa do outro mundo até o fim.
Nomes comuns: Missa das Almas, Missa das Almas Penadas

Origem Provável: É sem dúvida originária da Europa. Em Portugal e Espanha, por volta da idade média, já se conheciam lendas com estas características. Os romanos antigos acreditavam que os fantasmas dos parentes mortos se reuniam de tempos em tempos. Assim, eles, como também os Mouros espanhóis, celebravam a Festa dos Mortos. O objetivo era espantar os fantasmas errantes dos mortos.

Em Portugal é conhecida como "A Missa das Almas", e na Espanha como "La Misa de las Animas".

No caso brasileiro, é uma lenda muito comum em todo interior do país, embora seja citada como primeiramente relatada em Ouro Preto, Minas Gerais, na Igreja de Nossa Senhora das Mercês, de Cima.

Também em Minas Gerais, na cidade de São João Del Rei, na Matriz de N. S. do Pilar, existe um relato. Nesse caso, aconteceu com uma viúva, moradora do lugar. Ela teria assistido a uma dessas missas e perdeu a noção do tempo. Assim, quando o sino bateu doze vezes, à meia-noite, tudo desapareceu ficando ela sózinha completamente desorientada.

De acôrdo com a crença de alguns, a pessoa que presencia uma dessas missas, está perto de morrer ou seria um aviso de que vai morrer alguém conhecido dela. Outros afirmam que é um sinal de longevidade.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

BEM VINDO A ILHA DE PAQUETÁ.



A Ilha de Paquetá no Rio de Janeiro destaca-se desde os fins do século XIX, como um dos locais mais românticos do país, onde grandes amores tiveram início.
Essa associação do lugar ao culto a "Eros" se deve, em grande parte, ao fato de que no imaginário popular o romance "A Moreninha", de Joaquim Manoel de Macedo, teve como cenário a Ilha.
Entre as diversas lendas de Paquetá, a mais famosa e que influenciou bastante na ocupação humana da Ilha foi, sem sombra de dúvida, a lenda da Moreninha, escrita por Joaquim Manoel de Macedo em 1844.
Segundo algumas pessoas, o amor entre Augusto e Carolina ocorreu na Ilha de Paquetá, e o autor teria escrito o romance na própria Ilha, numa pensão situada a Rua Padre Juvenal nº 44, que pertencera a Sra. Maria da Cunha Marques e seu esposo. Atualmente, pertence por herança a um de seus filhos. O prédio onde funcionava a velha pensão foi tombado muito antes do tombamento da Ilha. Há quem afirme que Augusto era o nome sob o qual se escondia Joaquim Manoel de Macedo, talvez para ocultar a história real acontecida com ele.


Outra lenda famosa é a do "Poço de São Roque". O culto a São Roque vem desde os tempos coloniais. D. João VI e D. Pedro I freqüentemente vinham à Ilha participar da festa do santo padroeiro. No Poço de São Roque foi realizada a primeira festa das árvores e segundo diziam, possui uma água milagrosa capaz de curar feridas quando lavadas e solucionar doenças quando ingerida em doses fracionadas.
As romarias eram grandes, vindo pessoas de diversos lugares. 
Afirma-se, inclusive, que D. João VI banhou nas águas do poço uma úlcera na perna ficando curado da mesma.
  Existe também uma outra lenda a respeito do poço de São Roque: "quem beber daquela água voltaria certamente à Ilha e encontraria nela um amor paquetaense, pelo qual ficaria preso à Ilha para sempre".



Outra narrativa bastante difundida é a da "Pedra dos Namorados": ela afirma que se um casal arremessar algum objeto e este ficar sobre a pedra, o casamento se dará em curto espaço de tempo e o amor será eterno. Até hoje essa lenda atrai milhares de casais de namorados.
Outra história bastante intrigante é esta que trago para vocês - A Lenda da Pedra Rachada. 


Em frente ao “farol vermelho” bem na Baía de Guanabara, quase chegando a Ilha de Paquetá, existe um recife majestoso
secionado ao meio. Contavam os velhos da terra:

-“Dois irmãos, uma índia e um índio, que habitavam aquele local antes da chegada dos europeus, tiveram amores incestuosos.
Certa vez, quando praticavam o pecado,
um raio caiu sobre eles, separando-os e transformando-os naquelas duas rochas".

Eu tive a felicidade de ser criada nesta ilha, cujas narrativas misteriosas povoaram o meu imaginário desde criança.

Saudações Florestais !

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A GRUTA DOS AMORES.


Eu tive o privilégio de ter uma avó contadora de histórias. Dessa forma eu criei os meus filhos e pretendo também, contar para os meus netos quando os tiver.
 Esta é uma de suas muitas histórias contada todos os anos que ia passar as férias escolares na Ilha de Paquetá. Sim, eu fui criada nesta iilha cheia de mistérios e lendas...
 
Tudo começou no tempo dos índios Tamoios. 
Itanhantã ia em sua canoa pescar e caçar na Ilha de Paquetá, na Baía de Guanabara. 
Depois costumava repousava na sombra acolhedora de uma gruta.
Uma indiazinha, chamada Poranga, ia diariamente apanhar caça para Itanhantã - mas ele não dava a mínima pelota para ela! 
Todos os dias Poranga subia na pedra da gruta e cantava, esperando Itanhantã chegar, pescar, caçar e descansar. E todos os dias suas lágrimas caíam na pedra.
O canto e o choro de Poranga não amoleceram o coração de Itanhantã, mas suas lágrimas conseguiram abrir um buraco na pedra até que, certo dia, caíram sobre os olhos do caçador adormecido. 
Assustado, saiu correndo para a sua ubá.Quando avistou Poranga e disse:
 -"Cunhã-Porã", que quer dizer "moça linda".
No dia seguinte, ao voltar ao seu local de descanso, Itanhantã prestou atenção na linda voz da indiazinha e apaixonou-se por ela. Os dois foram felizes pelo resto de suas vidas. 
E as lágrimas de Poranga se transformaram na fonte de água que existe até hoje na Gruta dos Amores. 
Diz a lenda que quem quiser encontrar um amor para a vida inteira, basta tomar uma gota da água da fonte da Gruta dos Amores. 
 
Bem, verdadeira ou não, eu bebi da água e escontrei e o meu amor para a vida inteira.

domingo, 18 de outubro de 2009

A PONTE DA SAUDADE ( ILHA DE PAQUETÁ ).


“Tudo aconteceu no tempo em que os escravos desembarcavam neste cais, vindos de Brocoió, onde faziam quarentena, antes de entrar em contato com a população da Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro. Por esse fato é que o cenário desta estória teve como palco este lugar.
Seu personagem principal foi um preto forte e triste, chamado pelos negros de João Saudade e, pelos feitores, de João da Nação Benguella. Seu nome criou fama nas senzalas onde, na prosa dos mais velhos, foi um mito, falado e venerado por toda a gente escrava.
João da Naçao Benguella, no tempo do mil réis, foi vendido aqui por 400$000, avaliados pela força e robustez da exuberância muscular do seu contorno.
Dizem que veio da África num dos navios negreiros de Francisco Gonçalves da Fonseca, o dono do “Solar Del’Rei”. 
Como era de costume, depois da quarentena em Brocoió, veio para ca numa falua, que uma vez por mês encostava neste cais da “Praia das Pedreiras”.
João obedeceu com resignação ao costumeiro ritual; porque em seu peito não havia lugar – nem para ódios, nem para revoltas – porque já estava todo cheio de um outro sentimento: a enorme saudade que lhe fazia sofrer por Januária, e lhe fazia viver pelo amor de Loreano, um pretinho rechonchudo; filho deles dois.
João Saudade não podia imaginar o que fora feito deles. Quando foi capturado, não houve tempo nem para um abraço, nem para um “adeus”!
Os anos passavam lentos e João passava os anos rezando pelo amor dos dois. No íntimo de si havia uma certeza estranha… uma esperança, que a falange de Iemanjá, que o trouxera sobre as ondas, também traria seus dois amores que, um dia, ele veria chegar naquela “ponte”, depois de alguma quarentena em Brocoió. Algo lhe dizia que o destino lhe havia reservado um reencontro… e era por ele, que rezava aos guias e esperava ali a cada desembarque.
Passaram-se os anos. E cada ano que passava era mais longo… mas nenhum, maior que a perseverança de João “Benguella”.
Durante o dia, trabalhava nas caieiras; e à noite, rezava junto ao cais, conversava com a Lua, falava com as estrelas, molhava os pés cansados nas águas amenas deste mar, e lavava as suas mágoas nas gotas de sereno. Somente quando ouvia o pio das primeiras aves despertadas é que parava de falar com a Estrela Dalva. Olhava para o céu, despedia-se da noite já passada; dava um bom dia para a madrugada e voltava… devagar e triste, para as tristezas da senzala.
Todos os dias João chegava, cabisbaixo… cansado de rezar em vão, por encontrar um lenitivo para a dor desta saudade que, amargurando a sua alma, minava a resistência do seu coração, transbordando-lhe nos olhos refletida em cada lágrima.
João não era apenas um escravo triste. Para alguns dos velhos, era a própria encarnação humana da saudade.
O tempo passava como de costume, no correr dos anos: João, sua Saudade, os desembarques, o velho cais… Mas eis que um dia, João não regressou com os passarinhos… e os escravos, na senzala, deram falta dele e, em vão, o procuraram.
O desaparecimento de João Saudade aconteceu na manhã seguinte de uma sexta- feira em que a rotina da noite foi quebrada por um fato de espanto e de mistério: – talvez por dois minutos, um clarão estranho transformou a noite em dia, sem que ninguém soubesse explicar por que! Apenas viram surgir no Céu uma estrela muito grande e muito bela, e os seus raios de luz, iluminando a noite, encheram a “Ponte da Saudade” de um clarão de prata, que foi visto por todos na senzala. Quando o clarão se apagou, João Saudade, que rezava no cais, havia desaparecido juntamente com a estrela brilhante e os seus raios de luz.
Ninguém, jamais, soube explicar o que aconteceu à estrela e a João Saudade que, desde aquela noite desapareceu misteriosamente.
Tornou-se crença dos escravos que aquela estrela foi a falange iluminada de Iemanjá que, pela força da Saudade de João “Benguella”, teve permissão do Astral para buscá-lo, pondo fim ao sofrimento do seu Banzo; saudade imensa pela qual viveu, e pela qual sempre pediu para ir embora.
O cais onde João ficava passou a ser chamado de “A Ponte da Saudade”, transformando-se em local de reza e ritual dos negros, na esperança de que um dia também, pela força da Fé, fossem levados por alguma estrela… e libertados”.

sábado, 17 de outubro de 2009

A ÁRVORE GRÁVIDA.


Dando uma espiada no programa Fantástico da Rede Globo de Televisão domingo passado (11/10), deparei-me com um causo  deveras intrigante: a história de uma árvore grávida.

Isso mereceu uma  investigação, e como não sou fraca, fui correndo até o local indicado pela reportagem para conferir o ocorrido.
E não é que a danada da árvore está grávida mesmo?
Bem, eu conto. Foi assim...

O episódio se passa em Nova Iguaçu, região metropolitana do Rio de Janeiro, no bairro Rodilândia.  Quando lá cheguei, para minha surpresa descobri que além de todos conhecerem a história da mulher grávida  assassinada e enterrada pelo marido ciumento, em cima da qual cresceu uma árvore com todas as formas da gestante, a população local tinha pavor de passar pela Estrada de Ferro a noitinha.
Dizem que se alguém passa na rua durante a noite arrastando os pés,  rindo ou fazendo qualquer tipo de arruaça, a tal árvore  atira terra em cima de quem estiver perturbando o seu sono.
Há pouco tempo, uma moradora do bairro saiu de casa por volta da meia noite para arriar uma obrigação  na tal árvore e nunca mais foi vista. A vizinhança garante que ela foi engolida pelo vegetal. Pelo sim, pelo não, é bom tomar muito cuidado ao transitar lá pelos lados Estrada de Ferro após a meia noite, nunca se sabe: cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Verdade !

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"A PEDRA DO FRADE E DA FREIRA:" A LENDA DO AMOR IMPOSSÍVEL.


A "Pedra do Frade e da Freira" é uma belíssima formação rochosa localizada entre os municípios de Cachoeiro de Itapemirim e Rio Novo do Sul, região sul do estado do Espírito Santo.
Sobre esta formação granítica conta-se uma lenda bastante curiosa, passada de geração para geração, sobre  um frade que se apaixonou por uma freira que com ele trabalhava na cristianização dos povos nativos da região, e que devido as circunstâncias, acabou sendo correspondido.
Diante do fato e do sofrimento de ambos, divididos entre o celibato e o amor, Deus decidiu eternizar esse sentimento transformando-os em pedra.

Quando o Brasil engatinhava na sua tragetória, chegaram aqui os semeadores da fé, pois a história nos conta que há mais de 400 anos os frades andavam pela região sul do estado em busca de ouro e de almas, o que acabou dando credibilidade à lenda .
Com o passar dos anos, esse amor foi registrada nos versos do poeta  Benjamim Silva (1886 - 1954 ) com o soneto "O Frade e a Freira":

    Na atitude piedosa de quem reza,
      e como que num hábito embuçado,
   pôs, naquele recanto,  a natureza

a figura de um frade recurvado.
           E sob  um negro manto de tristeza
               vê-se uma freira , tímida ao seu lado,
           que vive ali rezando, com certeza,
           uma oração de amor e de pecado.
   Diz a lenda - uma lenda que espalharam - 

que aqui, dentrte os antigos habitantes,
      houve um frade e uma freira que se amara

Mas que Deus perdoou lá do infinito,
         E eternizou o amor dos dois amantes
        Nessas duas montanhas de granito.



Às margens do Itapemirim, sobre os fundamentos de granito, ergueu-se o casal, confabulando juras de amor, ouvidas pelas tempestades e compreendidas pelos passarinhos. Deus não os separou, nem os uniu, mas os deixou devidamente próximos em atitude de reza, frente a frente.

E assim permanecerão para sempre..


.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

HOMENAGEM AO DIA DO PROFESSOR.

Hoje é um dia especial, é o DIA DO PROFESSOR. E para festejar em grande estilo, eu trago um texto igualmente especial, a altura deste dia e escrito por um professor.
É uma das muitas coisas belas que pude contemplar até os dias de hoje, por isso divido com quem já conhece e com quem não conhece.
 Boa leitura.
....................................

                                               OUVIR HISTÓRIAS...
                                               LER O MUNDO...

 -  Bartolomeu Campos de Queirós -

(Professor, escritor e autor de obras de literatura e livros didáticos, tendo sido agraciado com muitos prêmios e condecorações).

O mundo é um livro sem texto, criado a partir da palavra. Dizendo  faça-se a luz, a água, a terra, o caos se curou.  Livro sem texto onde me vejo elaborando orações, apaziguando as imensas emoções percebidas nesse mar de linhas e horizontes de eternas leituras. Desde o início em que me lembro, leio ininterruptamente suas páginas, recorrendo a todos os meus sentidos, acrescentando ainda o fantasiado, na tentativa de me acalentar frente a tão imenso mistério. E sobre esse remoto livro sem texto – invenção original primeira – busco atribuir significado a tudo que ultrapassa o meu pouco poder. Freqüentemente, incapaz de decifrar os enigmas, recorro aos imaginário, resgatando elementos para me proteger diante de tamanha intensidade. E só a palavra me inscreve.
Se me vejo criança, perto do nascimento,me sei mais assustado. Nascer foi receber, sem aviso prévio e de uma só vez, todo um livro onde o firmamento está ilustrado com estrela, sol, lua, vôos, caprichosamente equilibrados em via-láctea, constelações, caminho de São Tiago e os anjos. As terras, essas decoradas com árvores, frutos, estações, pedras e os homens. O fundo das águas povoado de corais, peixes, jardins, conchas e os narcisos. E se não fossem as palavras, aos poucos a mim presenteadas, eu teria sofrido da ansiedade que suponho ter vivido o primeiro homem ao se ver abandonado e obrigado a nomear cada coisa pela primeira vez, pois não existe pensamento sem palavra e refletir, para vencer no mundo, foi tarefa maior de Adão.
Assim, procurando adivinhar esse livro sem texto, eu escutava o conto de cada um, com o intuito de facilitar a minha leitura. Cada história me trazia novos entendimentos e outras lembranças. Elas clareavam meus jovens pressupostos, me revelavam o sentido que cada um imprimia a essa viagem.
E muitos – avós, padrinhos, vizinhos – me ofereciam histórias. Em suas narrativas afetuosas eu descobria o contraditório, o medo, o desejo, o ódio, a insegurança, sentimentos comuns a todos nós, passageiros.  Revelou-se para mim que contar histórias era, também para eles, colocar as dúvidas, temporariamente, em seus lugares. Isso nos aproximava. O contador se fazia ouvinte de si mesmo. E todos, com diferentes lápis e vários tons, legendavam as páginas do livro. Receoso quanto ao futuro, incerto sobre o antes, eu aia atravessando os fantasmas na medida em que a linguagem tornava inteligível a lição.
A palavra era minha poção, meu ungüento, minha cataplasma, meu fortificante. Nas manhãs, eram as palavras que os mais velhos me davam para vencer o dia, quando eu pedia a bênção e respondiam: “Deus te abençoe”. As palavras me acompanhavam, ao ouvir, quando de saída, um “vai com Deus”. Elas eram o meu presente quando me desejavam “felicidades”; eram a minha tristeza quando me via obrigado a dizer “até a volta”. As palavras me acariciavam, me ameaçavam o inferno, me libertavam do pecado, me abriam o céu, quando as histórias eram de santos, milagres, levitações. As palavras me roubavam o sono e construíam os sonhos, me aproximava das perdas ou inauguravam os meus lutos. E meu cuidado para com elas, era tanto, que o silêncio passou a ser o lugar onde todas dormiam. Para acordá-las era preciso muita cautela.
E se demais a solidão, eu pedia à minha avó uma história. Ela me assentava sobre seus joelhos – Sant’Ana sem livro – olhava o fundo da paisagem e arrancava um conto. Às vezes, eu não escutava. Sua presença era a minha leitura. Seu corpo perto do meu, sua voz era um pretexto. Sei que nessa hora de “porquês” eu me fazia sua leitura e nosso amor era nossa história.
E minha avó me contava a história do pescador que fisgava um baú de moedas e viveu feliz em saber que eram falsas, mas nem por isso menos belas. Ela falava, ainda vejo os seus olhos, para si mesma, reinventando o livro para bem suportá-lo. Eu testemunhava sua leitura, sua aflição, seus fracassos na medida em que legendava o seu livro sem texto. Então, as suas palavras me levavam para muito mais longe. Assim, diante dos limites, a liberdade nos visitava ao apelidarmos o real.
Bruxas, reis, madrastas, anjos e assombrações, afogamentos e encantamentos contidos nas histórias me revelavam o livro. Decifrá-lo deixou de ser meu desejo. Suas tantas leituras me fascinavam. A incapacidade de esgotar em enunciados e nuances do universo, passou a ser a minha maneira de conhecer. E se muitas histórias eu ouvia, mais o livro ganhava em profundidade, entendimento e mistério.
As histórias me aproximam das palavras escritas. Saber ler passou a ser ganhar outras portas, encontrar novos alicerces, desequilibrar o sabido, desconfiar da permanência. Ler era o que de melhor eu podia fazer por mim. Ler, não para saber, mas pelo prazer de receber notícias de outras inquietações.
Se visito o passado, não sei se as dúvidas das crianças hoje são outras. Às vezes sou levado a perceber que o mistério do nascimento e da morte, com suas inquietações intermediárias, persistem. Vejo então, como indispensável, tomar as crianças no colo e dizer da fragilidade da viagem, lançando mão dos mais eficaz dos métodos: deixar a fantasia ler o mundo e legendá-lo, então, afetivamente.
                     
Chega mais perto e contempla as palavras

cada uma
            tem mil faces secretas sob a face neutra
            e te pergunta,sem interesse pela resposta,
            pobre ou terrível, que lhes deres
            trouxeste a chave?
              

( Carlos Drummond de Andrade 
in “A Rosa do Povo” )

- PARABÉNS PARA NÓS PROFESSORES ! -

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A ESFINGE CARIOCA.


A escritura do passado
Encontra-se em seus lábios selados
E quem sabe um dia
tudo nos será revelado.



 A mais popular esfinge brasileira é a Pedra da Gávea, localizada no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara. No alto de uma montanha granítica, está um ser, cujo corpo bovino ostenta uma colossal cabeça humana. Alguns acreditam que seja uma formação natural, outros acham que é obra de seres humanos em tempo remoto.
No século passado encontrou-se nas paredes da montanha uma série de riscos que alguns estudiosos interpretaram como uma antiga inscrição. Alguns atribuiram-na aos fenícios, povos navegantes do Mediterrâneo, que acidentalmente chegaram às costas do Brasil antes que Pedro Álvares Cabral.Mas há quem diga, que as inscrições fenícias vistas na Pedra da Gávea, não passam de fantasia delirante e é uma tentativa de tradução das nervuras da pedra.

Uma lenda indígena conta que o gigante da Pedra da Guanabara foi, em tempos remotos, um índio que assassinou uma jovem índia. Como castigo, Nhanderú o transformou em pedra e o obrigou a vigiar a Baía. Alguns pescadores afirmam que, às vezes, levanta-se e vai passear. Para tal empreendimento, chama as nuvens e cobre os morros para ninguém notar a sua ausência.
Outras lendas falam que no seu interior está a tumba de um grande soberano indígena, cercado de ricos pertences. O cacique teria sido enterrado junto com seus súditos mais próximos, sacrificados ritualmente.
Os tamaios chamavam a Pedra da Gávea de “Metaracanga”, que significa “cabeça coroada”. Nas suas cercanias ou no topo muitas pessoas já sumiram de forma misteriosa.
Também luzes estranhas, semelhantes ao fenômeno da “Mãe de fogo”, até hoje são vistas neste local e observados há muito tempo, pelos moradores das casas localizadas nos flancos da montanha.
Dizem que todos aqueles que tentam desvendar seus mistérios são vítimas de alguma maldição: a esfinge esconde muito bem os seus segredos.

(http://www.rosanevolpatto.trd.br/)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

ANA JANSEN E A SUA CARRUAGEM FANTASMA.



Uma rica comerciante do século XIX transformou-se num fantasma mais famoso do Maranhão:
Em São Luís existiu uma mulher muito poderosa, dona de quase todo patrimônio arquitetônico da cidade e, conseqüentemente, ela tinha uma influência muito grande na política local.
O nome dela era Donana Jansem ou Ana Jansem como era mais conhecida. Ela viveu há mais de 100 anos, mas o povo ainda continua falando dela.
Dizem, que Ana Jansem era uma pessoa muito perversa com os escravos. Quando queria castigá-los, ela os colocava pendurados de cabeça para baixo dentro do poço e os esquecia ali. Nas noites, ouviam-se os gemidos e os gritos dos escravos.
A família de Ana Jansem garante que tudo é intriga da oposição, porque naquela época uma mulher não podia ter o mesmo poder de mando que um homem. Ana Jansem não era letrada, mas era uma mulher mão-de-ferro.
Ela foi uma figura extremamente importante para a época e para o desenvolvimento de São Luís. Por causa desse poder que exercia junto a cidade, Ana Jansem tornou-se uma lenda famosa e apavorante:
Dizem, que por ter se comportado mal em vida, Ana Jansem teve seu castigo após a morte: foi condenada a vagar eternamente pelas ruas da cidade. Nas noites de sexta-feira, lua cheia, aparece uma carruagem conduzida por um negro sem cabeça.
Uma carruagem puxada por mulas sem cabeça jorrando línguas de fogo. Ana Jansem aparece vestida de negro trazendo no pescoço um cordão de ouro com o brasão de sua família. A carruagem percorre toda região da Praia Grande, justamente onde ela morava.
Quem cruza o caminho da carruagem fantasma tem que aceitar uma vela oferecida pela própria Ana Jansem, uma vela que depois se transforma em osso humano.
Quem mora no Maranhão garante escutar a carruagem com suas rodas rangendo durante a noite.

E você, gostaria de cruzar com Ana Jansem no meio da noite?



segunda-feira, 12 de outubro de 2009

AS MANGAS JASMIM DE ITAMARACÁ.


Dona Sancha Coutinho, meia-moça de rara beleza, tinha apenas quinze anos de idade, mas já não faltava quem pretendesse casar com ela. Seu pai, um rico senhor de engenho de nome João Coutinho, por certo teria planos definidos para seu futuro.
Quase vizinho da família, vivia o jovem Saldanha e Albuquerque, que se apaixonou por D. Sancha e pretendia tomá-la como esposa.
Um dia ganhou coragem, dirigiu-se ao engenho do senhor João e pediu para falar com ele a esposa:
- Senhores, o assunto que aqui me traz diz respeito a vossa filha, D. Sancha. Há muito tempo a admiro; por isso, venho pedir a sua mão em casamento. Desde agora juro amá-la com todo o respeito.
Oh, que desilusão! Os pais da menina rejeitaram o pedido do jovem apaixonado. Porém, o que eles não sabiam é que a D. Sancha também amava Saldanha e Albuquerque e não aceitaria se casar com nenhum outro.
O jovem partiu, muito triste, e a menina moça também ficou desolada. Saldanha e Albuquerque, desgostoso da vida, ingressou no exército e foi combater os holandeses que tentavam tomar as terras brasileiras. Foi valente, foi herói, até que num combate em pernambuco, ficou ferido e quase morreu. Acabou salvando-se, mas não pode mais combater. Foi então que decidiu tornar-se padre, o padre Aires, como passou a se chamar.
Certo dia, em visita à cidade de Olinda, foi até a ilha de Itamaracá.
Ansioso para saber de sua amada, perguntou pela família de João Coutinho. O casal já havia falecido, mas d> Sancha jamais se casara e continuava vivendo no mesmo lugar; sempre triste e saudosa.Aproximou-se da casa. D. Sancha, que naquele mesmo instante passava pela janela, viu-o e logo reconheceu o seu amado. Só que o seu coração não aguentou a emoção e D. Sancha acabou morrendo.
Que grande, que profunda dor do padre Aires ! Então, para que a beleza de sua amada fosse lembrada para sempre, ele plantou uma mangueira em seu túmulo. Quando a árvore deu frutos, eles tinham um aroma e um sabor diferente e delicado...
Foi assim que, deste amor eterno, surgiram as mangas jasmim de Itamaracá.

domingo, 11 de outubro de 2009

ÊVÉM O CHIBAMBA,NENÉM. ELE PAPA MININO, CALA A BOCA !

O Chibamba vem lá do sul de Minas Gerais assombrar as crianças malcriadas e teimosas que fazem manha na hora de dormir.
 Eu ouvi dizer que o Chibamba é o espírito das bananeiras, que ronca como um porco do mato e adora dançar.
Ele anda por ai somente a noite, envolto em uma longa esteira de folhas de bananeira, dançando de forma compassada enquanto caminha a procura de choro de criança teimosa.
Só sei que com o Chibamba a criança dorme até  mesmo sem sono.
Existe até uma quadrinha que diz:

- "Êvém o Chibamba, neném.  Ele papa minino, cala a boca !".

O nome "chibamba" deriva do  vocábulo africano  Bantu e teria como significado uma espécie de canto ou dança africana a exemplo do Lundu ( dança nativa africana).
Em Angola e Congo ainda os negros, em suas tradições festivas, dançam vestindo elaboradas roupas feitas de folhas, ramos e galhinhos de plantas locais.
 Sua chegada ao Brasil mineiro, em seus terreiros  onde as amas pretas de leite cuidavam dos seus bebês e também das crianças brancas: daí o surgimento do Chibamba como criatura assustadora e pavorosa.

Na tradição africana, os figurantes cobertos de folhas e mascarados  simbolizavam a encarnação dos seus antepassados,  que ora visitavam seus descendentes para abençoar suas festas, caçadas, colheitas, guerras e mesmo rituais de casamento.
Também os nossos índios dançavam envoltos em folhas e tecidos vegetais. Não é uma tradição dos Tupis, mas entre os pajés do Brasil colônia.
Esses nativos dançavam nas horas dos rituais religiosos, disfarçados, cobertos de folhas e pintados com corantes vegetais.

sábado, 10 de outubro de 2009

O MILAGRE DE SÃO BENEDITO.


A igreja do Rosário construída por Chico Rei e sua gente no cimo da encosta, em Ouro Preto, é singela e o seu interior pode ser chamado de humilde.
O altar-mor, em estilo barroco, ornado de volutas e flores estilizadas, o púlpitos bem talhados, a Via-Sacra em água-forte, os altares laterais obedecendo à forma comum das colunas torcidas com folhagens e anjos, solicita logo à entrada a admiração do visitante.

Das imagens que lá são veneradas, a mais curiosa é a de São Benedito, o santo negro que professou num convento da Sicília.
Ninguém deixa de notar que ele exibe um tufo de rosas nas dobras do burel. Esse particular está ligado à uma lenda que corre mundo.
E explica a forma inédita por que ali foi representado o milagroso franciscano.

O humilde frade era despenseiro do convento. Mas, como bom franciscano, confundia a despensa dos seus irmãos com a sacola dos esfomeados que vinham pedinchar diante da porta da casa de Deus.
 Não sabia dizer não. Ficava aflito sempre que ouvia um pobrezinho de Cristo dizer que ainda não tinha comido um bocado de pão.
Por isso, costumava desencaminhar o melhor da despensa para acudir à fome dos deserdados da terra.

Mas à hora das refeições, os frades, coitados, só encontravam à mesa o caldinho ralo, as folhas de hortaliça e os bocados de pão de rala.
Por causa disso, passaram a reprovar a conduta do frade. E o superior, zeloso da boa ordem conventual, teve de chamar à sua presença o negro, aconselhando-o a moderar um pouco os excessos da sua caridade, sob pena de matar de fraqueza os santos religiosos…

Ele, porém, por mais que se esforçasse, não conseguia mudar de conduta. Sempre que podia, apanhava alguns comestíveis, metia-os nas dobras do burel e lá ia, disfarçadamente, levá-los aos mortos de fome. Mas aconteceu que numa dessas escapulidas, no comprido e umbroso corredor do convento, encontrou-se com o superior.
 Sentiu-se surpreendido em pecado e não soube o que fazer.

- Que levas aí, na dobra do teu manto, irmão Benedito?

- Rosas, meu senhor.

– Ah! Mostra… Quero ver de que qualidade são!

Benedito, confuso, trêmulo, desdobrou o burel franciscano. E, em lugar dos alimentos suspeitados, apresentou aos olhos pasmos do superior uma braçada de rosas.

VERDADE !

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

E ASSIM O CÉU FOI CRIADO.



Na mitologia Tupi, é o deus do amor e do afeto.
Vive nas nuvens e sua função é despertar o amor dentro do coração dos homens. 
No começo havia a escuridão. Então nasceu o sol, Guaraci.
Um dia ele ficou cansado e precisou dormir. Quando fechou os olhos tudo ficou escuro.
Para iluminar a escuridão enquanto dormia, ele criou a lua- Jaci - tão bonita que imediatamente apaixonou-se por ela.
Mas, quando o sol abria os olhos para admirar a lua, tudo se iluminava e ela desaparecia.
Guaraci criou então o amor - Rudá - seu mensageiro, que não conhecia luz ou escuridão.
Dia e noite, Rudá podia dizer à lua o quanto o sol era apaixonado por ela. Guaraci criou também muitas estrelas, seus irmãos, para que fizessem companhia a Jaci enquanto ele dormia.
Assim nasceu o céu e todas as coisas que vivem lá.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O NEGRINHO DO PASTOREIO.


    Era uma vez um fazendeiro muito, mas muito rico mesmo. Quando resolvia contar dinheiro, as fazendas, o gado, as casas, o ouro e a prata que possuía, ficava todo embaralhado e nunca chegava a um resultado certo. E você sabe no que ele era também muito, mas muito rico mesmo? Em ruindade! Era danado de ruim e tratava todo mundo com o maior desprezo. Por isso, quando precisava de algum serviço, tinha a maior dificuldade para encontrar quem se dispusesse a atendê-lo.
    Sua atenção ia toda era para o filho – um boa-vida ruim que nem o pai -, para um cavalo baio que era a sua paixão, e para um escravo ainda garoto e muito bonitinho. Só que no caso deste último, a atenção era para judiar  dele o quanto podia. O pequeno escravo não tinha pai, nem mãe, nem um nome decente. Dizia que era afilhado de Nossa Senhora e todos lhe chamavam de Negrinho. Sua função na fazenda era cuidar dos cavalos, e – ai, ai, ai! – se alguma coisa acontecesse a um dos animais, sabia que seria punido sem misericórdia. Mas o Negrinho era muito cuidadoso e o fazendeiro não tinha motivos para castigá-lo. Além disso, aprendera a cavalgar como ninguém em toda imensidão da campina, o que fazia o fazendeiro malvado se sentir orgulhoso perante os demais.
    Um dia, o homem ruim conversava com o fazendeiro seu vizinho, um homem de bom coração. Conversa de cá, conversa de lá,  o homem ruim elogiava o seu baio, o vizinho elogiava o seu  cavalo mouro, que também era sua paixão, e resolveram apostar uma corrida de cavalos.
    - O dinheiro da aposta será para os pobres... – disse o vizinho.
    - Nada disso! Será para quem ganhar a corrida! – respondeu o homem ruim,           convencido de que seu baio sairia vencedor.
    E assim ficou o trato. Preparado o cavalo baio e o cavalo mouro, os cavaleiros montaram foi dado o tiro de largada, e – vupt! – o baio saiu disparado na frente.
    A vitória estava certa. Porém, quase na linha de chegada, o baio se assustou, empinou o corpo nas patas traseiras, rodou para a esquerda, rodou para a direita e – pum! – caiu o cavalo e o Negrinho junto com ele. Aí, o mouro passou á frente e cruzou a linha de chegada em primeiro lugar.
    O homem ruim ficou verde de raiva! Jogou o dinheiro pelos ares para cima do vizinho e voltou para casa, apressado. O Negrinho chorava baixinho:
    - Desta vez ele me mata! Oh, minha Nossa Senhora, desta vez ele me mata!.
    Não deu outra: o fazendeiro amarrou o moleque no tronco, deu-lhe uma surra e obrigou-o a ficar no pastoreio durante trinta dias, cuidando de trinta cavalos.
    O Negrinho ficou. Os dias passavam, os cavalos pastoreavam e nada de anormal acontecia. O Negrinho estava cansado e teve até uma hora que adormeceu.
    O filho malvado do fazendeiro foi espiar como andavam as coisas, doido para pegar alguma falha do escravo. Quando viu que ele dormia, fez um barulho que assustou os cavalos e todos se dispersaram pela campina.
    O Negrinho acordou com o barulho do tropel e ficou desesperado. Correu, chamou, gritou, mas os cavalos sumiram cada um para um lado. O filho ruim do homem ruim foi correndo contar ao pai que os cavalos não estavam no pastoreio.
O fazendeiro voltou a amarrar o negrinho no tronco e deu-lhe outra surra. Coitadinho, como sofria! Depois mandou que fosse procurar a manada e só voltasse depois que tivesse reunido os trinta cavalos.
    Era uma noite escura, sem lua nem estrelas para iluminar os caminhos.O Negrinho foi para junto da imagem de Nossa senhora, pediu ajuda e pegou um toco de vela que ardia aos pés da Virgem, para poder enxergar alguma coisa. À medida que caminhava, a cera da vela pingava no chão e cada pingo se transformava em outra vela acesa. Em breve toda campina estava iluminada e clara como se fosse dia.
    Os cavalos começaram a aparecer e, em pouco tempo, a manada estava toda reunida de novo. O Negrinho agradeceu a Nossa Senhora e sentou-se encostado a uma árvore. Estava exausto.Aquilo fora demais. Sem querer adormeceu, e o filho do fazendeiro, que havia seguido o garoto escravo, mal o viu dormindo, disparou um tiro e voltou a dispersar os cavalos. Depois, como era de se esperar, foi correndo contar ao pai que os cavalos continuavam desaparecidos.
    Mais uma surra no tronco! O Negrinho tinha as costas em sangue, não agüentava mais. Chorando de desespero e de dor, chamou por sua madrinha, soltou um gemido e morreu...
    O homem ruim nem ligou para o corpo do menino. Jogou-o na boca de um formigueiro para que fosse devorado pelas formigas e foi embora assobiando, como se nada tivesse acontecido.
    Foi se deitar, mas estava tão curioso para ver como havia ficado o corpo do menino, que não conseguiu dormir. De madrugada, sem que ninguém percebesse, foi até o formigueiro. E o que seus olhos viram? O Negrinho em pé, sorrindo e sacudindo as formigas, e os trinta cavalos, calminhos, ali junto. E bem ao lado do escravo, quem estava? Nossa Senhora!
    O fazendeiro ficou sem fala e sem ação. Num instante, percebeu toda sua maldade e sentiu um enorme arrependimento. Ajoelhou-se junto ao escravo e pediu perdão. O Negrinho montou no seu cavalo baio e partiu em tropel com toda a manada, percorrendo o pastoreio.
    Ainda hoje, de vez em quando, o Negrinho  atravessa as campinas com sua manada, em busca de animais e objetos perdidos.
    Os gaúchos que perdem alguma coisa pedem ao Negrinho que ajude a encontrar. E ele acha, mas só entrega se o dono acender uma vela para Nossa Senhora, sua madrinha.
Eu como não sou besta, mantenho a minha  vela sempre sempre acesa.

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Essa é uma lenda típica da região sul. 
Encontramos algumas variações espalhadas pelo Brasil.



quarta-feira, 7 de outubro de 2009

E ASSIM NASCEU O BUMBA MEU BOI.


Pai Chico, dono de uma enorme fazenda, tinha paixão por gado. Seu rebanho era enorme, mas existia um boi muito especial que Pai Chico destinava maiores cuidados – chamava-se Mimoso. De tão apaixonado que era, designou um empregado, o Severino, só para cuidar de Mimoso e servi-lo do melhor.
Pai Chico confiava cegamente neste empregado.
Algum tempo depois, este empregado, cansado de viver sozinho, conheceu uma mulher, a Catirina, e enamorou-se por ela.
Não demorou muito e estavam casados. Logo, logo, engravidou e lá pelo sexto mês, a tal mulher amanheceu com um desejo: comer a língua de um boi; só que não era de qualquer boi, era a língua de Mimoso. Seu marido ficou escandalizado.
Argumentou, disse que não era assassino, mas a mulher insistia e acabou convencendo o marido dizendo que caso não satisfizesse seu desejo, a criança que estava esperando poderia nascer morta.Sendo assim, Severino arrancou a língua do boi para matar o tal desejo de sua esposa.
Só que no dia seguinte, Pai Chico estranhando a ausência de Mimoso no pasto, começou a pressionar Severino que, arrependido, acabou relatando o acontecido.        
O boi, quase morto, foi socorrido por um Pajé e disse que a vida de Mimoso dependia somente da fé do povo. Então, o povo cantou e rezou a noite toda e Mimoso finalmente se recuperou: foi uma festa !
Desde então, no dia da festa junina o povo festeja o Boi-Bumbá.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O REI DA JABUTICABA PRETA.


O homem se sentia o próprio Rei da jabuticaba preta. A que ele vendia, era preta de tinir, mais gordinha do que as outras e super doce. A melhor jabuticaba vendida no Mercado Municipal dos Montes Claros. Indiscutivelmente, a melhor e maior de todo o Norte de Minas. A jabuticaba de Antônio de Maria Rita.
O preço das mesmas e
ra salgado, mas o produto de primeira. Só atendia sob encomenda, feita sempre com uma semana de antecedência.
O pagamento era em moeda corrente e no ato da entrega. Dona Belarmina fizera a encomenda e no sábado fora apanhar o produto, para o deleite de suas netas que vieram da Bahia e, chegando ao mercado só encontrou o espaço demarcado vazio.
Nada do rei da pretinha!
No sábado seguinte, lá estava a Dona Bela, bem cedo, fazendo a sua queixa ao Rei da jabuticaba preta. Este, macio que ele só, contou o incidente que lhe havia privado do fornecimento habitual das jabuticabas aos clientes, no sábado anterior.
O fato se dera disse, quando subiu a serra na sua propriedade, como habitualmente fazia nas sextas-feiras à tardinha, para apanhá-las.
Carregou a lata de 18 quilos, de suculentas jabuticabas, aprontou a rodilha de pano na cabeça, ato contínuo, desceu o morro. Lá vai Antônio com a lata de jabuticabas.
Andando a passadas largas nos seixos miúdos no chão da serra, o barulho das alpargatas, chap... chap...chap!
Já escurecendo; só a luz da lua, de repente ao levantar o pé direito em mais um passo, pasmem! Atravessada na trilha, dormindo profundamente, uma onça pintada. Foi Deus que não a deixou acordar com o barulho até então.
O rei da pretinha ficou parado, a lata foi pesando na sua cabeça, o tempo passando, e ele sem fazer barulho para não acordar a “bicha feroz’.
De repente o pensamento fatal! Ela vai acordar de manhã, com a barriga vazia, vai me ver e, adeus o rei da jabuticaba”.

A lata foi pesando, o pescoço afundando, doendo horrivelmente, o desespero chegando, e aí bateu a intuição! Tirou a lata da cabeça calmamente, encostou-a numa moita de unha de gato ao seu lado direito, tudo lentamente; inclinou a lata aos poucos, e as jabuticabas foram escorrendo pelas ramas sem fazer barulho.
Estando o recipiente vazio, virou-o de boca para baixo... Aproximou do escutador da pintada e, emitindo um grito apavorante, deu uma tapa nos fundos da lata: Paaa!...A fera deu um salto vertiginoso; deu um segundo e um terceiro salto, urrando, e desapareceu bufando em desabalada carreira, só se via galho quebrando! O pau cantou na casa de Noca.

Dona Bela que assistira ao trágico relato ficou patética! Pode entender o atraso na entrega da sua encomenda, e conformou com o preço aumentado recentemente do produto; não era fácil conseguir jabuticabas como aquelas. 
Só mesmo o Rei da jabuticaba preta, o primeiro e único da terra do Figueira.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

SERÁ QUE VAI DAR MACACO ?

Como ontem foi o dia universal dos animais, vou contar um pouco sobre os bichos, aliás, o bicho - o "Jogo do Bicho". Esse jogo de azar começou pelos idos de 1892, mas somente em 03 de outubro de 1941 que foi considerado ilegal. O que era uma boa idéia no início, com o tempo tornou-se crime. A cultura brasileira está cheia de dicas para se fazer uma "fezinha" e os sonhos são os mais utilizados. Secular no Brasil, o” jogo do bicho” é extremamente popular em todas as regiões desse imenso país.
Bem, esse jogo surgiu no Brasil no início da República pelas mãos do Barão de Drummond, João Batista Viana Drummond. Naquela ocasião, o aristocrata decidiu fazer  uma campanha para conseguir reerguer o jardim zoológico de sua propriedade, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, que passava por sérias dificuldades.
Assim, o Barão listou os 25 animais existentes no espaço e lançou o jogo,  estipulando quatro números para cada bicho, formando as dezenas de 00 a 99. Esse critério é utilizado até hoje, só alguns bichos que mudaram.
Inaugurado em 4 de julho de 1892, a imprensa e a alta sociedade carioca festejaram a novidade criada pelo Barão, afim de atrair mais pessoas para o seu imenso  jardim.
" A empresa do Jardim Zoológico realizou ontem um magnífico passeio campestre ao seu importante estabelecimento, situado no pitoresco bairro de Vila Isabel.
Em bondes especiais dirigiram-se os convidados e representantes da imprensa àquele local e depois de visitarem o hotel, que se acha nas melhores condições, os jardins, as gaiolas em que se acham os animais e aves, tomaram parte em um lauto jantar, em mesa de mais de 60 talheres, presidida pelo digno diretor daquela empresa, o sr. barão de Drummond.
O primeiro brinde foi levantado pelo sr. Sérgio Ferreira ao sr. Barão de Drummond, que em seguida, com toda gentileza, brindou à imprensa, sendo correspondido pelo nosso representante. Trocaram-se ainda outros brindes, sendo o último ao sr. vice presidente da República.
Com meio de estabelecer a concorrência pública, tornando freqüentado e conhecido aquele estabelecimento que faz honra ao seu fundador, a empresa organizou um prêmio diário que consiste em tirar à sorte dentre 25 animais do jardim Zoológico o nome de um, que será encerrado em uma caixa de madeira às 7h da manhã e aberto às 5h da tarde, para ser exposto ao público. Cada portador de entrada com bilhete que tiver o animal figurado tem o prêmio de 20$. Realizou-se ontem o 1º sorteio, recaindo o prêmio do Avestruz, que deu uma recheiada poule 460$000.
A empresa tem em construção um grande salão especial para concertos, bailes públicos, e vai estabelecer no jardim jogos infantis e outros diversos para o público.
Ás 9h voltaram os convidados, pessoas de alta distinção, penhorados todos à gentileza do sr. Barão de Drummond e seus dignos auxiliares. Foi uma festa esplêndida".
("Jornal do Brasil", 4 de julho de 1892)

Tudo ia bem, até que os vigilantes da lei apontaram a ilegalidade do jogo, como mostra a correspondência entre delegados publicada por outro jornal carioca cerca de duas semanas depois da inauguração do "jogo do bicho".

"Ao Dr. 2º Delegado dirigiu ontem o Dr. Chefe de Polícia o seguinte ofício:

No empenho de procurar atrair concorrência de visitantes ao Jardim Zoológico, solicitou o seu diretor para certo recreio público licença, que lhe foi concedida pela polícia, em vista da feição disfarçadamente inocente que da simples primeira descrição do divertimento parecia se deduzir.
Entretanto, posta em prática essa diversão, se verifica que ela tem o alcance de verdadeiro jogo, manifestadamente proibido. Os bilhetes expostos à venda contêm a esperança puramente aleatória de um prêmio em dinheiro, e o portador do bilhete somente ganha o prêmio, se tem a felicidade de acertar com o nome a espécie do animal que está erguido no alto de um mastro.
Essa diversão, prejudicial aos interesses dos encantos,  que com a esperança enganadora de um  incerto lucro se deixam ingenuamente seduzir, é precisamente um verdadeiro jogo de azar, porque a perda e o ganho dependem exclusivamente do acaso e da sorte.
Como semelhante divertimento não pode por mais tempo ser tolerado, e conquanto maior fundamento quanto é certo que muitas queixas me têm sido dirigidas pelas pessoas lesadas, assim intimarei ao diretor do Jardim Zoológico para que suspenda imediatamente a continuação do aludido jogo, sob pena de ser processado na conformidade dos artigos 369 e 370 do código penal".
("O Tempo", 23 de julho de 1892)

Assim, nesse vai e vem, o "jogo do bicho" começou a funcionar no Brasil. E essa ambigüidade entre legalidade e ilegalidade, manteve-se por décadas, escapando dos muros do Jardim Zoológico para todo o Rio e depois para o Brasil.
Finalmente a Lei de Contravenções Penais, decreto-lei 3.688, de 3 de outubro de 1941, considerou efetivamente a proibição dos jogos de azar no Brasil, prevendo prisão, multa e fechamento do estabelecimento quando descoberta a prática do jogo do bicho.
No entanto, a proibição não inibiu a sua prática. Aliás, como podem impedir um jogo tão popular, dizendo que os jogos de azar são proibidos no Brasil, se a própria Caixa Econômica Federal ( do governo ), explora uma porção de outros jogos de azar? (raspadinhas, mega-sena,lotomania,quina, etc) 
Total incoerência.
Com o passar dos anos, os "chefes do bicho" - chamados bicheiros - começaram a tornar-se cada vez mais poderosos, com braços em agremiações de escolas populares, como as escolas de samba e na política, com o apoio indireto a políticos.

Quero deixar claro que sou contra a qualquer manifestação de jogos de azar, só contei essa história porque ela faz parte da à história do Rio de Janeiro.

Saudações Florestais !

domingo, 4 de outubro de 2009

PRÊMIO DARDOS.



Recebi este prêmio da amiga a blogueira REGINA GOULART SANTOS de


"ENTRELINHAS".

http://www.reginagoulartsantos.blogspot.com


     O que é?

     Este é o "Prêmio Dardos" que dá a cada blogueiro o reconhecimento de seu valor, esforço, ajuda, transmissão de conhecimento.


Fico feliz em ver que o meu trabalho, em prol de um mundo melhor, passa a fazer parte desse prêmio tão significtivo. Agradeço a digna irmã  em reconhecer o meu esforço.
Ha Eveí !

Fazendo uma referência e uma reverência a  nossa poeta Cecília Meireles, dizia em seus discursos  que "literatura é nutrição", é muito mais do que um simples entretenimento, pois o alimento faz parte da nossa história biológica e o alimento quando é de qualidade vai dando  a criança uma visão de mundo diferenciada para toda vida, tornando um adulto mais equilibrado e mais preparado para se relacionar com o mundo.
Precisamos depurar os nossos sentidos – isso é urgente se queremos um mundo mais justo e com menos violência.
 E essa depuração vem através desse objeto lírico tão maravilhoso que é a história.  
É preciso resgatar essa humanidade que ficou perdida em meio a essa aldeia global, essa sociedade insensível e fragmentada; essa mesma sociedade que nos tirou a possibilidade de criar, pois com toda facilidade do mundo contemporâneo, ficamos frente a tudo pronto, sem poder agir. Isso nos deixa um enorme vazio, não cria um significado entre nós e o objeto.

 E lembre-se:
o coração de quem nunca desistiu será sempre jovem.


Agradeço de coração.

Avy'a Romomaiteivo!
( alegro-me em poder saudar tua alma e teu espírito !)


Bem, a regra manda que indique 15 (quinze) blogs para premiação. 
Vou fazendo aos poucos, a medida que a minha conexão me permitir abrir os blogs, ok? Assim crio um suspense (rs).

AVISO: Vou passar dos 15.

........................


São eles:

1. "Conversas Daqui e Dali", do meu querido amigo Carlos Albuquerque em:
http://www.conversasdaquiedali.blogspot.com

2. "Raízes da Mantiqueira", da minha amiga Flora Maria, em: http://www.floradaserra.blogspot.com

3. "África em Poesia".
http://www.africaempoesia.blogspot.com

4. "Espaço da Belita", da minha amiga portuguesa, com certeza, Ana Bela em:
http://www.espacodabelita.blogspot.com

 5. "Pensamentos e Sentimentos" da minha amiga Rosa Carioca, em:
http://www.pensasentimentos.blogspot.com

6. "Meu Reino", do espirituoso Daniel Savio, em:
http://www.danielsfcarlos.blogspot.com

7. "Vento na Ilha", de Sonia Schmorantz (Nossa,  será que escrevi certo?), em:
http://www.schsonia.blogspot.com

8. "Depois do Divã", da psicóloga Déia, em:
http://www.depoisdodiva.blogspot.com

9. Dizem que o peixe morre pela boca: "Com Capricho", de Paula Cavequia.
http://www.paulacavequia.blogspot.com

10. "Desabafando e Sonhando", em:
http://www.desabafandoesonhando.blogspot.com

11. "As Flores do Jardim da Minha Vida", da minha querida Zuninha, em:
http://www.zinasflowers.blogspot.com

12. "Cantinho da Teresa", da minha colega de profissão Teresa, em:
http://www.mtgrazioli.blogspot.com

13. Para quem gosta de fuxico, "Coisinha da Drika", de Drika Trevilato, em:
http://www.drikatrevilato.blogspot.com

14. "O Lado B da Vida", do meu querido amigo Miguel Angelo, em:
http://www.o-lado-b-da-vida.blogspot.com

15. "Memória de Elefante", em:
http://www.elefantedememoria.blogspot.com

16. "Estmulos", da minha querida amiga gaúcha Rosan, em:
http://www.rosan-estmulos.blogspot.com

 17- "Blog Traços e Laços", da minha querida amiga psicanalista Regina Fernandes, em:
http://www.traoselaos.blogspot.com

18 - "Em Prosa e Verso", da minha carinhosa amiga Dulce, em:
http://www.em-prosa-e-verso.blogspot.com




A ÁGUIA GIGANTE.


Em tempos muito antigos, uma águia gigante ameaçava a segurança dos índios. A terrível ave de rapina devorou a tia dos dois poderosos ancestrais dos Caiapós. 
Um pai criou dois de seus filhos debaixo da água, para que se tornassem homens fortes, capazes de matarem a tão temida ave vingando assim, a morte da parenta. Seus nomes eram: Kukrüt-kakó (osso de tapir) e ngo-k0n-ngri (cabaça pequena). 
Naquele tempo, os indígenas eram todos muito pequenos e fracos, somente estes dois meninos do rio cresceram gigantes. Entretanto, os índios da aldeia, nada sabiam sobre eles, já que somente os pais visitavam os filhos. 
Quando se tornaram homens, o pai deixou que saíssem das águas, e vivessem na aldeia em companhia dos pais. Mas todos se amedrontaram com aqueles gigantes, sobre quem o pai e a mãe jamais lhes haviam falado. 
O pai construiu para os filhos uma casa gigante e lhes falou da ave rapina que tinha devorado sua tia paterna. Então, os filhos partiram em busca da ave a fim de vingar a morte da tia. Lá muito longe, na borda do grande cerrado, havia uma enorme árvore, cujos ramos abrigavam o ninho da águia gigantesca. Suas garras eram tão grossas quanto um tronco de árvore, a cavidade de sua boca era parecida com a fauce do tapir, suas plumas lembravam folhas de bananeira e seus olhos eram de um tamanho aterrorizador. 
A ave já havia devorado muitos indígenas: facilmente os tomava em suas garras enormes. 
Os homens gigantes, armados de machado e lança, cuja ponta era feita de um grande osso de jaguar, foram até a árvore em que estava o ninho da águia. Ao se aproximarem a águia os avistou e imediatamente precipitou-se sobre um deles que se defendeu com o machado. 
O outro, veio correndo e matou-a com a ponta óssea da lança. Na luta entre a águia e os dois indígenas, a ave perdeu sua penugem. Os dois ancestrais Caiapós sopraram no monte de penas, espalhando-as em todas as direções do vento. 
Com isso, a penugem transformou-se em pássaros pequenos e, desde então, existem pássaros de toda a espécie.

sábado, 3 de outubro de 2009

O OLHO GORDO DA DONA BALEIA.





A baleia era o bicho do mar mais veloz e mais comilão.
Sabe o que aconteceu com ela ?
A danada  era um mamífero tão  privilegiado, que nadava mais do que todos os outros peixes e comia por peste. 
Nosso Senhor irritado com o olho grande do animal - como castigo - resolveu castigá-la com uma lição, torcendo o seu rabo. 
É por isso que hoje ela nada mais devagar, e é o único peixe que tem a barbatana do rabo virada para baixo, batendo água de baixo para cima, em vez de ser da direita para a esquerda como todos os viventes d'água.
Também a baleia comia tudo que via pela frente.
Até que um dia aconteceu um episódio que deixou Santo Antônio irritadiço: uma moça devota do santo, ia num barco rezando com uma imagem nas mãos, pedindo que a embarcação entrasse logo na barra. De repente, devido a uma manobra brusca, Santo Antônio escapuliu de suas mãos e txim bum!... caiu no mar.
A baleia atenta, vendo o clarear das águas, correu para cima e, sem reconhecer, botou pra dentro a imagem do santo.
Santo Antônio para castigar a gulodice do animal, fez o mamífero ficar engasgado e quanto mais se engasgava, mais a goela ia ficando estreita.
O santo desapareceu no meio das águas, mas a baleia ficou até hoje só engolindo peixinho pitchititinho.
É mole ? Quem mandou bulir com santo.



A beleia é um peixe nobre,
Não come senão sardinha,
Abre aboca, pega miles,
Engole a mais muidinha...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

AS ICAMIABAS,


Em torno de 400 a 600 anos atrás, existiu na região Amazônica, próximo às cabeceiras do rio Jamundá, um reino formado somente de mulheres guerreiras, conhecidas como Icamiabas. Elas viviam completamente isoladas, só mantendo contatos esporádicos com homens. Em certas épocas do ano estas mulheres belas e guerreiras celebravam suas vitórias sobre o sexo oposto. Neste dia, uma grande festividade era organizada e elas desciam do monte onde viviam até o lago sagrado denominado "Yaci Uarua" (Espelho da Lua). 
Durante a noite, quando a Lua deitava sobre o espelho da água, as Amazonas mergulhavam nela com seus corpos fortes e morenos. Após este ritual de purificação e limpeza, estas deusas da Lua clamavam pela Mãe do Muiraquitã - Grande Mãe das Pedras Verdes. Era ela que entregava a cada uma daquelas mulheres uma pedra da cor verde (jade), denominada de "Muiraquitã", onde encontravam-se esculpidos estranhos símbolos. 
Receberiam-nos ainda moles, porém, logo que saíam da água eles endureciam. Segundo os índios Uaboí, os amuletos eram vivos e para apanhá-los, as índias feriam-se e deixavam cair uma gota de sangue sobre o tipo que queriam. Isso feito, o animal morria e elas se atiravam na água para buscá-los. 
Cada nativa trazia em seu pescoço seu talismã propiciatório de proteção material e espiritual. Mas elas também os presenteavam àqueles que seriam os futuros pais de seus filhos. 
Estes homens eram selecionados para fecundá-las e depois eram mantidas vivas as meninas, que davam a continuidade da casta matriarcal das mulheres guerreiras.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A OBTENÇÃO DO FOGO.


A cultura universal proclama a terra, o ar, o fogo e a terra como elementos básicos da criação do mundo.  Dentre estes, o fogo é considerado o mais intenso e também responsável pelas transmutações, progresso e determinação do homem. A guerra, a luxúria, a vingança e a paixão são outros atributos deste elemento.
Ao dominar o fogo, o homem se distinguiu dos demais animais e passou a compartilhar o poder divino. O elementar tornou-se então, o centro da vida humana e passou a ser adorado e cultuado por muitas civilizações, inclusive como deuses responsáveis  pela manutenção do fogo eterno.
Com isso, surgiram figuras míticas  que  procuravam explicar a relação do homem com o fogo.
 Com tantas utilidades e peculiaridades, logo o inconsciente popular tratou  de dar ressignificações ao fenômeno fogo. O imaginário indígena brasileiro, aliás, foi pródigo em lendas para explicar a origem do fogo.
Existem muitas lendas que falam desta criação, mas hoje eu trago para vocês somente duas, foi assim:

Os cainganges, índios do sul e sudeste do Brasil que pertencem à família lingüística jê, do tronco macro-jê, precisavam do fogo para cozinhar e se aquecer, mas não sabiam como obtê-lo. Somente Minarã conhecia o segredo, mas não ensinava a ninguém. Ele era um índio de raça estranha, que mantinha o fogo em sua lareira,zelado por sua filha Iaravi, que o guardava como um tesouro.
 Fiietó, um índio jovem e inteligente, resolveu roubar o fogo e trazê-lo para a sua tribo.
Sua estratégia foi transformar-se  em uma gralha branca e chegar até a cabana  de Minarã, onde o fogo ardia na lareira. No momento em que Iaravi banhava-se no rio, Fiietó atirou-se na água e se deixou levar pela correnteza na direção da formosa índia.
Ela, penalizada com aquela cena, vendo a pobre e indefesa gralha encharcada,  recolheu a pobre ave, levando-a para aquecer junto da lareira.
Não tardou para que as penas secassem e a ave pegasse um pedaço de brasa com o bico e voasse fugindo.
No caminho de volta, o tição em brasa caiu de seu bico, provocando o maior incêndio na floresta, propiciando assim a obtenção do fogo pelas tribos vizinhas. 
Foi desse jeito que eles obtiveram o fogo e puderam cozinhar os seus alimentos.

.......................

Os homens ainda não conheciam o fogo. Naquele tempo  seus alimentos eram secos ao sol e tinham gosto ruim. A velha índia fazia o mesmo, mas certo dia saiu de casa para apanhar alguns ramos, juntou-os e cuspiu em cima deles e, surpreendentemente, os galhos pegaram fogo. A partir daquele dia, a feiticeira passou a cozinhar seus alimentos, mas resguardou o segredo de todos.
Numa dessas tardes, uma jovem índia entrou na floresta e foi andando até encontrar a casa da tal anciã. Subiu numa árvore e ficou observando, até que a velha apareceu. Juntou um pouco  de lenha, cuspiu e fez uma fogueira.
Espantada com o que estava vendo, a moça desceu da árvore e, sem ser percebida, correu até a taba, onde contou, quase sem fôlego, o que vira.
Satisfeitos com a notícia, os índios foram à casa da feiticeira e disseram:
-  Sabemos que tens fogo. Dá-nos!
A feiticeira ria-se, negando a atendê-los.
- Se não nos deres o fogo, nós te obrigaremos.
Os índios, então,  agarraram a velha feiticeira e a levaram até a tribo. Amarram-na num tronco no meio da taba, e juntaram em torno dela bastante lenha. Apertaram o ventre da velha até que não aguentou e cuspiu, ateando um fogo vivo e forte, que queimou a terra em baixo  e a transformou numa pedra.
Esta pedra, quando batida em outra igual, solta faíscas.
Foi deste modo que os índios aprenderam a fazer fogueiras e não tiveram mais que comer os alimentos crus.

Saudações Florestais !

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A TRISTE SINA DO BARBA-RUIVA.


 Num pequeno povoado pertinho da lagoa de Paranaguá, no Piauí, vivia uma senhora com suas três filhas. A mais nova das moças namorava um jovem que lhe prometera casamento, e em que ela depositara toda sua esperança de felicidade.Um dia, a moça sentiu que estava grávida. 
Tudo bem, se não fosse o jovem ter ido trabalhar em outras terras e nunca mais ter voltado.  Talvez tenha morrido, talvez tenha mandado uma carta que nunca chegou, talvez, isto, talvez, aquilo... 
A verdade é que a moça viu que teria o filho sozinha.
    Ela passou a viver muito triste pela ausência de seu amor, e também muito envergonhada. Como havia de enfrentar os vizinhos sendo mãe solteira? Naquele tempo, era um escândalo uma moça ter um filho sem ser casada...
    Depois de muito refletir, decidiu que, assim  que o bebê nascesse, ela o colocaria dentro de uma bacia de cobre e o jogaria nas águas do rio. E foi o que fez logo que o menino nasceu.
    Atenta a tudo que acontece nos seus domínios, a mãe-d’água ficou indignada com a atitude da jovem mãe.  Como podia ela entregar o filho recém-nascido ao reino das águas? Então pegou o menino em seus braços e levou-o com ela.
    Mas estava tão furiosa, que as águas se revoltaram, fizeram ondas enormes e alagaram as margens, engolindo as árvores, e se estenderam tanto pela terra, mas tanto, que o rio transformou-se numa lagoa cristalina com um imenso espelho de 15 quilômetros de largura.
Foi assim que, da ira da mãe- d’água, formou-se a belíssima e vasta Lagoa de Paranaguá.
    Mas a mãe do bebê não podia esquecer seu filhinho. Vivia amargurada com sua atitude. Ah, se pudesse saber onde estava o seu menino, e o que lhe acontecera!... Noite após noite, ela ia até a beira da lagoa e ali ficava de olhar parado sobre as águas, na esperança de que a luz do luar indicasse onde ele estaria. Porém o luar nada lhe dizia, nada lhe mostrava. Contudo, se seus olhos nenhum sinal podiam descobrir, seus ouvidos podiam perceber o som estranho vindo do fundo da lagoa, um choro de criança novinha, parecia um bebê querendo mamar.
    O caso começou a ser falado e comentado; todos queriam ouvir o choro que vinha das águas. Mas, pouco a pouco, as pessoas foram se afastando daquele lugar e ninguém mais quis construir casa perto da lagoa. É que achavam muito triste ouvir, uma noite atrás da outra, o choro de uma criança novinha.
    E assim os dias foram se seguindo às noites, no permanente passar do tempo, até que uma noite o bebê deixou de ser ouvido. Estaria o encanto terminado? Todo mundo começou a se aproximar cada vez mais da lagoa.
    Ora, numa certa manhã, as moças que costumavam vir ali lavar roupa viram surgir das águas a figura de um menino, que sorria para elas um sorriso alegre como só os bebês têm. Tomaram um susto tão  grande , que fugiram largando a roupa lá, e só voltaram à tarde. Aí, no mesmo lugar, a figura surgiu novamente, só que agora era de um moço bonito, de barba ruiva, que correu para abraçá-las. Mais um susto e mais uma corrida  para bem longe dali. Quando caiu à noite,  as moças voltaram para buscar a roupa, certas de que não teriam mais nenhuma visão. Mas... eis que de, novo, no mesmo lugar,  elas vêem aparecer a mesma figura, desta vez com um homem  de barba ruiva.
    Desde esse dia, muitas pessoas já o viram e, curiosamente, ele não quer conversa com os homens, mas quando vê uma moça corre para ela -  não para fazer mal,  somente para abraçá-la e beijá-la.  Como não sabem as suas intenções, as moças têm medo de Barba-Ruiva e não se atrevem a itr lavar roupa sozinhas.
    Pobre Barba-Ruiva! Só está em busca de carinho e de alguém que quebre o seu encanto. Como isso pode acontecer? Bem, é preciso que surja uma mulher  corajosa, que não tenha medo de se aproximar de Barba-Ruiva e jogar água benta sobre sua cabeça. No dia em que isso acontecer, Barba-Ruiva voltará a ser gente,  como deveria ser desde que nasceu.
    Onde estará a mulher, jovem ou não, que seja decidida e corajosa o bastante para desencantá-lo? Pelo visto ainda não nasceu.
    Enquanto isso, o Barba-Ruiva continua seguindo a sua sina pelas águas espelhadas da Lagoa de Paranaguá.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O GUERREIRO DO MONTE RORAIMA.




Nas terras de Roraima havia uma montanha muito alta, onde um lago cristalino era expectador do triste amor entre o Sol e a Lua. Por motivos óbvios, nunca os dois apaixonados conseguiam se encontrar para vivenciar aquele amor. 
Quando o Sol subia no horizonte, a lua já descia para se pôr. E vice-versa. Por milhões e milhões de anos foi assim. 
Até que um dia, a natureza preparou um eclipse para que os dois finalmente se encontrassem. O plano deu certo. A Lua e o Sol se cruzaram no céu. As franjas de luz do sol ao redor da lua se espelharam nas águas do lago cristalino da montanha e fecundaram suas águas fazendo nascer Macunaíma, o alegre curumim do Monte Roraima.


Com o passar do tempo, Macunaíma cresceu e se transformou num guerreiro entre os índios Macuxi. Bem próximo do Monte Roraima havia uma árvore chamada de "Árvore de Todos os Frutos" porque dela brotavam ao mesmo tempo bananas, abacaxis, tucumãs, açaís e todas as outras deliciosas frutas que existem. Apenas Macunaíma tinha autoridade para colher as frutas e dividi-las entre os seus de forma igualitária.

Mas nem tudo poderia ser tão perfeito. Passadas algumas luas, a ambição e a inveja tomariam conta de alguns corações na tribo. Alguns índios mais afoitos subiram na árvore, derrubaram-lhe todos os frutos e quebraram vários galhos para plantar e fazer nascer mais árvores iguais àquela.

A grande "Árvore de Todos os Frutos" morreu e Macunaíma foi obrigado a castigar os culpados. O herói lançou fogo sobre toda a floresta e fez com que as árvores virassem pedra. A tribo entrou em caos e seus habitantes tiveram que fugir. 
Eu soube que até hoje, o espírito de Macunaíma vive no Monte Roraima a chorar pela morte da "Árvore de todos os frutos".

Saudações Florestais !

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A LENDA DA ERVA-MATE.

Uma tribo de índios Guarany derrubava um pedaço de mata, plantava a mandioca e o milho, mas depois de quatro ou cinco anos, a terra não produzia, e por força das circustâncias,  a tribo acabava tendo que  emigrar para outro lugar.
Cansado de tais andanças, um velho índio, já muito velho,  recusou seguir adiante e preferiu aquetar-se na tapera.
A mais jovem de suas filhas, a bela Jary ficou entre dois corações: seguir adiante, com os moços de sua tribo, ou ficar na solidão, prestando arrimo ao ancião até que a morte o levasse para a paz do Yvi-Marai.
Apesar dos rogos dos moços, Jary terminou permanecendo junto ao pai.
Essa atitude de amor mereceu uma recompensa.
Um dia chegou por aquelas paragens, um pajé desconhecido e perguntou à Jary o que  ela queria para  sentir-se feliz. A moça nada mencionou, mas o velho pai pediu: quis  ter suas  forças renovadas para poder seguir adiante e levar Jary ao encontro da tribo que tinha partido.
Entregou-lhe o pajé uma planta muito verde, perfumada de bondade, e ensinou que ele plantasse, colhesse as folhas, secasse ao fogo, triturasse, botasse os pedacinhos num porongo, acrescenta-se água quente ou fria e sorvesse essa infusão. E disse:
- Terás nessa nova bebida uma nova companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais cruel solidão.
 Dada a receita partiu.
Foi assim que nasceu e cresceu a caá-mini. Dela resultou a bebida caá-y que os brancos mais tarde adotaram o nome de erva-mate, muito utilizada pelos gaúchos  no chimarrão.
Sorvendo a verde seiva o ancião retemperou-se, ganhou força e pode empreender a longa viajada até o reencontro com seus.

E a tribo toda adotou o costume de beber da verde erva, amarguentinha e gostosa que dava força e coragem e confortava amizade mesmo nas horas tristonhas da mais total solidão.

Saudações Florestais !

domingo, 27 de setembro de 2009

A IMPORTÂNCIA DO PAU-BRASIL.

Eu ouvi dizer que o Pau-Brasil foi o primeiro empreendimento de exploração econômica no Brasil. Essa madeira já era conhecida  pelos europeus, que a utilizavam como corante  na indústria têxtil: até então, o produto vinha do Oriente.
Foi, pois, dessa árvore de que se extraía uma tintura vermelha, que a população nativa já usava  para tingimento de fibras do algodão, que se derivou o nome "Brasil", embora a discussão  sobre a origem do nome esteja longe do fim.
O então rei de Portugal firma um contrato com os mercadores para a exploração da madeira nas novas terras. Em troca,  eles deveriam enviar navios ao Brasil, construir e manter aqui uma fortaleza, e pagar impostos à Coroa. Assim nesceram os "brasileiros", nome dado aos comerciantes do pau-brasil.
O escambo foi uma das maneiras utilizadas  para explorar o trabalho indígena na extração da madeira.
Na base da troca de miçangas, tecidos e roupas, canivetes, facas e  outros objetos, os nativos derrubavam as árvores, obtinham as toras e armazenavam nas feitorias.
O Pau-Brasil ocupou o centro da história brasileira durante  todo o primeiro século da colonização. Abundante na época da chegada dos portugueses e hoje quase extinta, atualmente só é encontrada  em jardins botânicos e em parques nacionais, plantada vez por outra em cerimônias patrióticas.
 
O Brasil deve igualmente ao Pau-Brasil uma das suas principais masnifestações artísticas. Oswald de Andrade, no que denominou "Manifesto  Pau-Brasil", publicado em 18 de março de 1924 no Correio da Manhã do Rio de Janeiro, deu nova dimensão à arte brasileira, contrastando, sem rejeitar o internacionalismo, o Brasil mulato e tropical com o da indústria moderna.
"(...) A Poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas, um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a Maricota lendo o jornal. No jornal anda todo o presente.
Nenhuma fórmula para a  contemporânea expressão  do mundo. Ver com os olhos livres.
Temos a base dupla e presente - a floresta e a escola. A raça crédula e dualista  e a geometria, a álgebra e a química logo depois da mamadeira e do chá de erva- doce. Um misto de "dorme-nenê que o bicho vai pegá" e de equações.
Uma visão que bata nos cilindros dos moinhos, nas turbinas elétricas; nas usinas produtoras, nas questões cambiais, sem eprder de vista o Museu Nacional. Pau-Brasil.
(...) Bárbaros, crédulos, pitorescos e meigos. Leitores de jornais. Pau-Brasil. A floresta e a escola. O Museu Nacional. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil."
- Oswald de Andrade-
(Correio da Manhã, 18 de março de 1924).


Mas, ninguém mais do que  Tarsila do Amaral expressou melhor a Pintura Pau-Brasil, redescobrindo com sua arte o passado colonial brasileiro.À frente dos Modernistas, Tarsila liderou o movimento que em 1928 ficou mundialmente conhecido como Movimento Antropofágico.


Esta nação, que tem a maior biodiversidade do mundo, cujo nome veio de uma árvore, foi motivo da devastação de um dos mais ricos ecossistemas do planeta e deve, para não deixar repetir o que aconteceu no passado, fazer cumprir a legislação ambiental, para que o potencial de suas florestas não continue sendo explorado irracionalmente.



Saudações Florestais !

sábado, 26 de setembro de 2009

A HISTÓRIA DO CAFÉ.


Aceita um café ?

Não há evidência real sobre a descoberta do café, mas existem muitas lendas que relatam sua possível origem.

Uma das mais aceitas e divulgadas é a do pastor Kaldi, que viveu na Absínia, hoje Etiópia, há cerca de mil anos. Ela conta que Kaldi, observando suas cabras, notou que elas ficavam alegres e saltitantes, e que esta energia extra se evidenciava sempre que mastigavam os frutos de coloração amarelo-avermelhada dos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio.

O pastor notou que as frutas eram fonte de alegria e motivação e, somente com a ajuda delas, o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.

Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais a um monge da região, que decidiu experimentar o poder dos frutos. O monge apanhou um pouco das frutinhas e levou consigo até o monastério.
Ele começou a utilizá-los na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava, ou em suas longas horas de leitura do breviário.
Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida. As evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yemen.

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Em 1727 o sargento-mor Francisco de Melo Palheta, a pedido do governador do Estado do Grão-Pará, lançou-se numa missão para conseguir mudas de café, produto que já tinha grande valor comercial.
Para isso, fez uma viagem à Guiana Francesa, e lá se aproximou da esposa do governador da capital Caiena. Conquistada sua confiança, conseguiu dela uma muda de café-arábico, que foi trazida clandestinamente para o Brasil.

Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de café se espalhou rapidamente, com produção voltada para o mercado doméstico. Em sua trajetória pelo Brasil o café passou pelo Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Num espaço de tempo relativamente curto, o café passou de uma posição relativamente secundária para a de produto-base da economia brasileira.
Desenvolveu-se com total independência, ou seja, apenas com recursos nacionais, sendo, afinal, a primeira realização exclusivamente brasileira que visou a produção de riquezas.
Verdade ou não, foi desse jeito que eu ouvi dizer.
 
Nossa! Esse Francisco Palheta não era fraco (rs).


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O GUARANÁ.

TOADA:


Os Pajés arrancaram e plantaram os olhos do Curumim morto. E durante quatro luas os guardas da preciosa sementeira, velaram e regaram a terra com lágrimas. Uma nova planta surgiu, travessa como os Curumins, procurando subir nas árvores próximas, das hastes escuras e sulcadas, como os músculos dos guerreiros. E quando frutificou, seus frutos de negro azeviche envoltos no aro branco e embutidos em duas cápsulas vermelho-vivo, eram sem dúvida, a multiplicação milagrosa dos olhos do pequeno Príncipe Maué.


A nova planta trouxe realmente progresso para a tribo pelo abundante comércio de seus grãos. E os sábios confirmaram a lenda: o guaraná, como foi chamado, fortalece os fracos, conserva o jovem e rejuvenesce o velho.
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A LENDA:

Um casal de índios pertencentes a tribo Maués, viviam juntos por muitos anos sem ter filhos, mas desejavam muito serem agraciados com um curumim. Um dia os dois pediram a Tupã para dar a eles uma criança afim de completar aquela felicidade. Tupã, o rei dos deuses, sabendo que o casal era cheio de bondade no coração,  atendeu-lhes o desejo trazendo um lindo menino.

O tempo passou rapidamente e o menino cresceu bonito, generoso e bom. No entanto, Jurupari, o deus da escuridão, sentia uma extrema inveja do menino e da paz e felicidade que ele transmitia, e decidiu ceifar aquela vida em flor.

Numa bela manhã de sol. o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari  aproveitando-se da ocasião, lançou a sua vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa e mordeu a criança, matando-o instantaneamente.

A triste notícia se espalhou rapidamente. Neste momento, trovões ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia. A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo que ela deveria plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos.

Os índios obedeceram aos pedidos da mãe e plantaram os olhos do menino. Neste lugar cresceu o guaraná, cujas sementes são negras, cada uma com um arilo em seu redor, imitando os olhos humanos.

( Fonte de Pesquisa: Festa de Parintins.)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

VOCÊ VIU O CARUARA POR AI ?

A mitologia indígena é repleta de seres fantásticos, muitos deles trazendo as forças da natureza, benéficas ou malignas.
As lendas indígenas procuram, através de simplicidade, explicar a origem das tribos, das árvores, da floresta, das plantas comestíveis, tudo sintetizado de forma que se possa, objetivamente, transmitir a beleza das tradições e dos ritos que elas geram. 
Hoje eu trouxe para vocês a lenda do Caruara ou Caroara. Ele é um doende invisível, uma espécie de bicho fantástico amazônico que inspira muito medo entre a população local. Em geral aparece nos quintais e capoeiras .
É extremamente perigoso para as mulheres mestruadas, que nessa condição, evitam andar pelos quintais ou atravessar as trilhas que dão nas roças ou nos caminhos para apanhar água.
O cheiro da mulher nesse estado atrai o Caruara e sua mãe, que procuram atingir sua vítima  com uma flexada.
Os efeitos dessas flexadas são semelhantes aos do reumatismo: aparecem dores horríveis pelo corpo, inchações nos membros e nas articulações.
Aos homens essa criatura não representa qualquer perigo.
No norte do Brasil o Caruara é responsável por uma moléstia que ataca o gado, trazendo-lhes inchações, paralisia nas pernas e corrimentos.
Com o mesmo nome se conhece uma espécie de formiga que dá nas árvores, cuja mordedura coça como sarna.
E segundo me contaram, Caruara também uma espécie de abelha, cujo mel é nocivo.

SER BOTAFOGO É...

Meus queridos amigos leitores,

Hoje vocês vão me perdoar - a carne é fraca -, mas não poderia deixar de homenagear ( o que é bonito é para ser compartilhado, não é verdade ? ) o meu time do coração com esse belíssimo jogo de palavras, uma declaração de amor, um verdadeiro poema escrito pelo meu ex-professora Artur da Távola.
Tive o prazer de ser sua aluna por ocasião da faculdade de jornalismo que fiz pelos idos de 1978.
Eu se fosse vocês, assistia o vídeo ( na voz de Edson Celulari ), cujo link está no final da página e mudaria imediatamente de lado.
É por isso que digo:

...e ninguém cala, 
esse nosso amor.
E é por isso 
que eu canto assim
É POR TI FOGO !

Saudações Alvinegras !
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Ser Botafogo é possuir uma espada de fogo e luz para enfrentar, iluminar e desbravar. É apreciar claras definições e alternativas extremas: a do branco e do negro. É ser súbito, safo, seguro de si. É saber o que quer e querer o que sabe.

É ser estrela, solitária ou solidária, é tomar partido, ousar e desbravar. Ser Botafogo mistura nobreza sem aristocracia com popularidade sem demagogia. É furar, varar, ultrapassar, chegar, enfrentar pedradas, tormentas e adversidades e sempre conhecer a melhor matéria do próprio sonho.

É insistir e crer onde os fracos desistem. É sobranceira, guerra, gorro, rasgo, Biriba, Carlito Rocha, Macaé e superstição. É adorar o embate para torrar e moer a emoção.

Ser Botafogo é clarão do alto da montanha, é esquina carioca, atrito, vontade de "saldanhar" a opressão, é águia, água-forte, firmeza, mais ciência e fúria que pausa ou vacilação.

Ser Botafogo é "garrinchar" a vida com a elegância de um Nilton Santos e as peraltices de Quarentinha. É gostar de peleja, vitalidade, capacidade de decidir, autenticidade, batida de limão, filé com fritas, passear na chuva, sanduíche de mortadela, filme de heroísmo, goleiro valente, contrastes intensos; é curar gripe com alho, mel e agrião.

Ser Botafogo é saber discordar da desconfiança. É deprimir-se e recolher-se até voltar a labareda. Aí é bater de frente, olhar firme, detestar receio, medo, pântano, mentira e derrisão. É conhecer o risco e ousá-lo e tudo fazer com categoria e vontade de viver. É vencer.

Ser Botafogo é não desistir de insistir, de teimar e buscar. É faca, fato, feito, festa, furor. Queimadura.

Ser Botafogo é buscar a forma nobre de competir e saber empunhar a estrela da vitória maior. É fazer da vida festa e furacão; flor e labareda; esperança e realização.


( Artur da Távola )


Assista ao vídeo:

 http://www.youtube.com/watch?v=CZeEtl9geLU


 

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

NAIA - O GUERREIRO LUA E A VITÓRIA RÉGIA.


(uma lenda indígena tupi-guarani).

Para os índios brasileiros, a Lua é um Guerreiro Celeste.

Conta uma conhecida lenda indígena brasileira, que a Lua é um Guerreiro Celestial, que vem à Terra na noite de Lua Cheia, para escolher entre as índias virgens da aldeia, aquela com quem irá casar-se. As índias escolhidas, ao casarem com o Lua (Jaci), transformavam-se em estrelas no céu.

Naiá, enamorada e atraída pela beleza e luz do grande guerreiro celeste, recusava-se a aceitar propostas de casamento de outros guerreiros. Ela queria o seu lugar de luz no firmamento ao lado de Jaci.

Mas o guerreiro Lua, sempre tão distante, parecia ignorá-la. Todos os meses, na ocasião da Lua Cheia, Naiá enfeitava-se para vê-lo aparecer no horizonte oposto ao pôr do Sol, e esperava até o amanhecer do dia seguinte para sair correndo no sentido contrário, onde o guerreiro desceria do céu para a Terra, na esperança de que iria desposá-la. Mas nada. Corria de um lado para o outro por entre as matas para encontrá-lo e abraçá-lo. Mas o guerreiro parecia estar tão frio, insensível. Então ela resolveu subir a mais alta montanha, para tentar alcançá-lo lá no céu. Porém quanto mais alto subia, mais distante o Lua ficava.

Cansada de tanto buscar, já fraca e adoecida, a índia deitou-se lá no alto, ao lado de um igarapé, um pequeno curso de águas que corria para um lago e adormeceu. Quando acordou Naiá viu, por entre as copas das gigantescas árvores da floresta, a imagem do Guerreiro Lua projetada nas águas do lago. E, arrebatada em luz, num só impulso, não hesitou, exultante mergulhou nas águas profundas do lago! E desceu, desceu, desceu tanto, que até esqueceu-se de si mesma, e de que talvez não fosse mais capaz de voltar... Desceu até o fundo das águas para abraçar e fundir-se com o Lua, e lá encontrar sua Vitória...

Mas, ao invés de tornar-se mais uma estrela no céu, Naiá transforma-se na única e mais linda estrela das águas: - Vitória Régia! A Rainha das Águas, a formosa planta aquática da Amazônia que em forma de coração flutua tranquila sobre as águas dos lagos e igarapés, para se abrir em flores perfumadas, a receber a luz do Guerreiro Celeste toda noite de Lua Cheia.

Contaram para mim em segredo, que o bulbo daquela flor oferece um poderoso remédio, quando associado a outras ervas, e tomado pelas índias, em épocas determinadas, para cura natural de problemas de infertilidade; porém é preciso cuidado, muito jeito e sensibilidade, ao pegá-la. É linda, poderosa, cheirosa, mas tem espinhos e sabe se defender.



COMO SURGIRAM AS ESTRELAS ?


Era um tempo de grande seca para as tribos e não havia alimento sobrando. As índias reunidas saíram em busca de comida para os maridos e os filhos.

Procuraram por todo o lugar e nada. Não viam caça, nem fruto, nem nada para comer. No dia seguinte resolveram levar junto um grupo de curumins para darem sorte.

E deu certo. Logo acharam um grande milharal em que as espigas não haviam sido atingidas totalmente pela seca. Ali, puderam encher os cestos com espigas amarelinhas.

Os curumins também ajudaram a colher o milho, mas a fome era grande e logo as crianças  voltaram para tribo, carregando uma boa parte dessas espigas.

Chegando na tribo, pediram logo para a avó fazer um bolo. Ela fez e não demorou a comerem tudinho. Só ficaram as migalhas que os pássaros devoraram.

Quando terminaram e de barriga cheia, ficaram envergonhados: como podiam ter comido tudo sozinhos quando todos estavam com fome?

Com medo de que as mães os repreendessem, as crianças trataram de fugir. Pediram para o colibri que amarrasse no céu o maior cipó que encontrasse, e por ele começaram a subir.

Quando notaram o sumiço dos curumins, as índias ficaram preocupadas e voltaram correndo para a aldeia. Ao chegarem, viram os curumins subindo o cipó.

Assustadas, elas começaram a subir também os cipós para salvá-los, mas eles estavam cada vez mais alto.

O cipó que não era lá muito forte, rompeu com o peso e as índias caíram no chão, transformando-se em onças. E os curumins, que já estavam no céu, não conseguiram mais voltar.

Assim, durante a noite, quem olhasse para o céu ainda podia ver os pontinhos brilhantes dos olhinhos dos curumins, transformados em grandes estrelas.

Saudações Florestais !




terça-feira, 22 de setembro de 2009

O BEM SÓ SE PAGA COM O BEM. Será ?

A onça caiu numa armadilha preparada pelos caçadores e, por mais que tentasse escapar, ficou prisioneira. Resignara-se a morer, quando viu passar um homem. Chamou-o e  pediu que a libertasse.
- Deus que me livre! - disse o transeunte. -  Se você ficar solta, vai me devorar.
A onça jurou que seria eternamente agradecida, então o pobre desatou as cordas que seguravam a tampa do alçapão e ajudou a bicha a sair da cova.
Logo que a onça se viu livre, agarrou o seu salvador por um braço, dizendo:
- Hoje você será o meu jantar !
O homem, coitado, pediu, rogou, implorou... e a onça finalmente decidiu:
- Vamos combinar uma coisa. Ouvirei a sentença de três animais. Se a maioria for favorável ao meu desejo, você não me escapa.
O pobre do sujeito não teve outro alternativa senão aceitar o desafio, e saíram juntos pela floresta adentro.
Logo encontraram um cavalo, velho, doente, abandonado.  A onça narrou o ocorrido.  O cavalo disse:

- Quando eu era moço e forte trabalhei e ajudei o homem a enriquecer e sabe qual foi a minha paga ? Largaram-me aqui para morrer, sem qualquer auxílio. É camarada onça, o Bem só se paga com o Mal.
Mais adiante depararam com o  Boi. Consultado, opinou pela razão da onça. Contou sua vida de serviços ao homem e, quando julgaba ser recompensado, soube que fora vendido para ser morto e retalhado pelo açougueiro. O Bem só se paga com o Mal.
O coitado triste, certo que viraria jantar, acompanhava a onça - que já lambia o beiço - floresta adentro. Caminharam, caminharam... e lá pelas tantas, exaustos de tanto andar, avistaram um macaco. Chamaram o tal e pediram o seu parecer. O macaco someçou a rir. E saltava, fazendo caretas e rindo.A onça ia-se zangando:
- Por que tanta risada, camarada macaco?
- Não é fazendo pouco - explicou o macaco -, é que eu não acredito que o homem caísse na armadilha que ele mesmo preparou.
- Ele não caiu. Quem caiu fui eu - esbravejava a onça.
- Ah, foi você ? Então como é que esse homem tão fraquinho pode libertar um bicho tão grande e forte como a camarada onça ?
A onça, despeitada pelo macaco julgá-la mentirosa, foi até o alçapão e saltou para o fundo do foço, gritando lá debaixo:
- Está vendo, foi assim!
Mais que depressa o macaco empurrou o engradado de varas pesadas que fazia de tampa e a onça tornou a ficar prisioneira.
- Camarada onça - sentenciou o macaco - o Bem só se paga com o Bem. Você fez o Mal, então receba o Mal.
E se foi embora com o homem, deixando a onça para morrer de fome na armadilha.




"FAMILIÁ", O DIABINHO DA GARRAFA.


"Familiá", nos sertões mineiros, é o mesmo que "diabinho familiar" onde as crônicas de Portugal nos contam  que São Cipriano ( feiticeiro afamado que depois se converteu ao cristianismo ) ensinava como fazê-lo, com os olhos de um gato preto colocados dentro de um ovo de galinha preta e posto para chocar na esterqueira.

Essa lenda logo chegou ao Brasil e, em 1591, já era assinalada sua presença  na Bahia.

O nome na viagem através do tempo, deixou de ser " diabinho familiar" para se tornar "famaliá".

O capetinha conservado dentro de uma garrafa, é figurinha fácil de se encontrar nas feiras norte-nordestinas, comprado pela gente simples como curiosidade ou  até mesmo como amuleto.

Hoje vemos esta mesma lenda sendo recontada na novela "Paraíso", da Rede Globo de Televisão, onde a personagem Sr. Eleutério (interpretado por Reginaldo Farias) , mantem um "familiá" guardado no fundo de sua gaveta como um amuleto, atribuindo a ele toda riqueza que acumulou no decorrer dos anos.

Mesmo sendo combatido pelos religiosos de todas as denominações, o mito resiste bravamente até os dias de hoje, dizem que é por conta da força do diabinho.

Quem sabe ?
 

Eu ouvi dizer, que o "Familiá" é fruto de um pacto que as pessoas afirmam que se pode fazer com o diabo. Este pacto consiste, na maioria das vezes  de uma troca: a pessoa pede riqueza em troca da alma ao cramunhão. 

Para se fazer um, deve-se matar um gato preto, tirar-lhe os olhos e colocar cada um dentro de um ovo de galinha preta, guardando tudo dentro de estrume equino.

Passado um mês, nascerá o diabinho, sempre em forma de pequeno lagarto que deverá ser alimentado com ferro ou aço moído.

Os possuidores do "Famaliá" terão muito poder e, se você pedir, poderá arranjar-lhe dinheiro em qualquer quantidade.

Só que  tudo nessa vida tem seu preço, não é verdade ?

E  no final das contas a  pessoa já terá o seu  lugar no inferno, juntinho ao capiroto.


Duvida ?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

TUDO PELO VERDE.

"As árvores são fáceis de achar
Ficam plantadas no chão
mamando do sol pelas folhas E pela terra.
Também bebem á água, cantam no vento
E recebem a chuva de galhos abertos"


(As Árvores - Arnaldo Antunes e Jorge Ben Jor)


Elas nos alimentam com seus frutos, nos protegem sob suas copas, nos encantam som suas flores. Resistem ao vento, acolhem os humores do clima, recebem o rigor da tempestade e a crueldade das motosserras. São as mães da natureza. Guarde sempre um minuto para celebrar a beleza e o poder dessas criaturas que representam a generozidade da criação. Muito se fala da necessidade de preservar a Amazônia, o que é fundamental. Não se pode esquecer, porém, das urgências do ambiente urbano, que concentra hoje a maioria da população, em todo mundo.
A beleza de uma árvore florida toma conta dos olhos e da alma.
É impossível não se emocionar.

Eu amo as árvores.

O mundo depende das árvores para manter o ciclo das águas, a temperatura, o estoque de alimentos e a estabilidade ecológica.

Quem ama cuida.


"O homem, a fera e
o inseto à sombra
delas vivem, livres
da fome e de fadigas, e em seus
galhos abrigam-se
as cantigas
e os amores das aves tagarelas"


(Velhas Árvores - Olavo Bilac )




 Saudações Florestais !

O HOMEM QUE ENGANOU A MORTE.


Diz que era uma vez um homem que tinha tantos filhos que não achava mais quem fosse  seu compadre. É difícil encontrar quem queira ser compadre de um pobre.
E nascendo mais um filhinho, saiu para procurar quem o apadrinhasse e, depois de muito andar, cansado, encontrou a Morte pelo caminho, a quem convidou.
A Morte aceitou de pronto, pois nunca havia recebido um convite desses, as pessoas sempre fugiam dela.
Quando acabou o batizado voltaram para casa e a madrinha compadecida da sorte de seu compadre, fez-lhe um convite:
- Compadre ! Quero fazer um presente ao meu afilhado e penso que é melhor enriquecer o pai. A partir de hoje, você será um médico e nunca errará o diagnóstico!
E continuando:
- Quando  for visitar um doente me verá sempre. Se eu estiver na cabeceira do enfermo, receite até água pura e ele ficará bom. Agora, se eu estiver nos pés, não faça nada porque é um caso perdido.
O homem confiante nas palavras da Morte, assim o fez. Colocou uma placa de médico na porta de sua casa e ficou esperando a primeira visita.
A coisa era tão certeira que o homem foi enricando, pois não errava um diagnóstico. A sua fama já estava chegando às cidades vizinhas.
Era só entrar no quarto do vizinho para dizer:
- Esse escapa !
Ou então:
- Não tem jeito. Podem encomendar o caixão, vai bater as botas !

Não errava uma.
Vai que um dia adoeceu o filho do rei e este mandou buscar o tal médico, oferecendo imensa riqueza pela vida do príncipe. O homem ao entrar no quarto, deparou-se com a Morte sentada nos pés da cama. Como não queria perder a fama e nem a grana oferecida pelo rei, resolveu tapear a comadre, ficando lá o dia inteiro sem pronunciar qualquer diagnóstico.
A Morte, que trabalhara a noite toda, de tão cansada que estava, acabou cochilando sentada na cadeira.
Foi quando o médico, mais que depressa, num golpe certeiro, mandou que os serviçais o ajudassem virar a cama, de modo a colocar a morte na cabeceira da cama do doente.
 E num grito só ele disse:
- Vai se salvar !
A Morte tomou um susto com aquele grito e, muito contrariada por ter sido tapeada, foi-se embora resmungando...
-Você me paga, compadre.
No dia seguinte cedinho, o médico tomava o seu café da manhã quando foi surpreendido por uma batida na porta. Era a Morte convidando o compadre a fazer-lhe uma visitinha.
- Eu vou - disse o médico - se você jurar que voltarei!
- Prometo - disse a comadre.
Então levou o homem como num relâmpago até a sua casa.
Tratou-o muito bem e mostrou toda a casa.  Mas o médico ficou meio encafifado com um salão cheio, mais cheio de velas acesas, de todos os tamanhos, algumas já apagando, outras vivas, outras esmorecendo. Não contendo a curiosidade, perguntou o que era aquilo.
- É a vida do homem- respondeu a Morte. cada criatura do universo tem uma vela acesa. Quando a vela se acaba, ele bate as botas.
O tal homem foi perguntando pela vida dos amigos, dos vizinhos, conhecidos e vendo quanto tempos lhes restava. Até que a curiosidade o fez perguntar pela sua vida. A comadre, então, mostrou um cotoquinho de vela quase no fim.
- Virgem Maria ! Essa é a minha ? Então eu estou morrendo ?
A Morte disse:
- Está com as horas contadas e foi por isso que lhe trouxe aqui, mas você me fez jurar que voltaria e vou cumprir a minha promessa e levá-lo de volta para que possa morrer em casa.
O médico quando deu acordo de si, já estava em casa deitado na cama meio moribundo e rodeado pela família.
Como último desejo pediu a comadre para que rezasse um Padre-Nosso.
- Não me leves antes, jure ?
- Juro - prometeu a Morte.
O homem começou a rezar...
- Padre-Nosso que estás no céu... E calou-se.
A Morte então disse:
- Anda compadre, eu tenho muito  que fazer, meu dia está tomado, você está demorando muito.
- Nem pense nisso, comadre! Pensa que vai me levar assim, a minha reza vai durar anos.
E pulou da cama todo serelepe.
A Morte ficou indignada por ter sido enganada duas vezes pelo compadre,  e disse:
- Tudo bem, mas eu te pego na esquina.
Anos e anos se passaram, o médico velhinho e engelhado, vinha de uma visita quando deparou com um homem morto na beirada da estrada.
- Deve ser triste morrer assim, sozinho, sem ninguém - lamentou o médico.
Tirou o chapéu de pôs-se a rezar um Padre-Nosso para o coitado. Quando pronuncoiu a palavra Amém, o morto abriu os olhos. Era a comadre morte fazendo-se de morta.
- Pensou que iria enganar-me durante o resto da vida ? Hoje você não me escapa !


O HOMEM QUE BOTAVA OVO !?


Quem tiver o seu segredo,
Não conte a mulher casada,
Esta conta ao seu marido,
O marido aos camaradas...


Em algum lugar lá pelo interior desse Brasil, um marido tinha uma mulher que gabava-se em saber guardar segredo. Vivia dizendo que as outras eram saco rasgado e ninguém podia confiar senão no juízo dela.
Tanto se gabou e se gabou que o marido pensou em fazer uma experiência para ver se a mulher era mesmo segura de língua.
Uma noite, voltando tarde para casa, o homem trouxe um grande ovo de pata, que é muito maior do que os da galinha, e deitou-se na cama. Lá para as tantas da madrugada, acordou a mulher, todo assustado e, pedindo que ela guardasse todo segredo, contou que acabara de pôr um ovo!
A mulher só faltou morrer de admiração, mas o marido mostrou o ovo e ela acreditou, jurando que nem ao padre confessor havia de dizer o que soubera.
Ora muito bem. Pela manhã, assim que o marido saiu para o trabalho a mulher correu para a vizinha e, pedindo segredo de amiga, contou que o marido pusera um ovo na cama e estava todo aborrecido com essa desgraça.
A vizinha prometeu que ninguém saberia, mas passou o dia contando o caso, ao marido, aos vizinhos, aos conhecidos, sempre pedindo segredo.
E, como quem conta um conto aumenta um ponto, toda vez que a história passava adiante o ovo ia mudando de número. Primeiro era um, depois dois, deppois três... e ao anoitecer o homem já pusera meio cento de ovos.
Voltando para casa, o marido encontrou-se com um amigo e este lhe disse que havia novidade naquela rua.
- Qual a novidade ?
- Não soube ? Uma coisa bem esquisita! Imagine que um morador nesta rua pôs, penso eu, quase um cento de ovos, seu mano ! Diz que está muito doente e que cada ovo tem duas gemas. É mesmo o fim do mundo.
O marido não quis saber quem estava de vigia. Entrou em casa, chamou a mulher, agarrou uma bengala e passou-lhe a lenha com vontade, dando uma surra de preceito, que a deixou de cama, toda moída e com panos de água e sal.
Depois o homem saiu contando como o caso começara e a mulher ficou desmoralizada.

E você,  acaso sabe guardar segredo ?

domingo, 20 de setembro de 2009

A NOIVA DE SANTA RITA.

Eu ouvi dizer, que lá pelas bandas de Paraty (cidade do Rio de Janeiro), que alguns anos após o término da construção da igreja de Santa Rita de Cássia, foi programado um casamento com uma tremenda festança.
Na manhã da data marcada, aconteceu um fato inusitado: a moça foi encontrada mortinha da silva e ainda vestida de noiva. Bem, o que seria uma data festiva, acabou  por ter um triste desfecho.
Após o enterro, o noivo inconformado e desesperado, quase chegando à loucura, contrariando a todos, resolveu ficar de plantão  em frente à igreja, sem arredar o pé. As horas foram passando, passando ...

Foi quando lá pelas tantas, o portão do cemitério se abriu e dentro dele uma mulher vestida de noiva saiu e se dirigiu a um pequeno bebedouro que existe ali em frente.
O rapaz, mesmo não acreditando naquela visão surreal, resolveu ir em direção a tal noiva, que naquele instante debruçava para beber água. Foi quando a  aparição virou-se para o noivo  e disse, antes de desaparecer, que motivo de sua morte teria sido a sede.
Não podia ser diferente, o moço saiu aos gritos em disparada pela cidade, enlouquecido e contando para todos, implorando que a sepultura de sua amada fosse aberta, pois era ela a tal noiva vagante.
Qual surpresa de todos, que na manhã seguinte o tal túmulo foi aberto e constatado que o corpo da menina estava de bruços.
O pessoal conta que até hoje o tal espírito vaga durante a madrugada, da igreja para o cemitério, como se estivesse inconformada com a sua sina.

 Cuidado! Se você  um dia encontrar a tal mulher vestida de noiva, corra. 
Pois ela ainda quer se casar.

E LÁ VEM O PEDRO MALAZARTES.

Um casal de velhos possuía dois filhos homens, João e Pedro, este tão astucioso e vadio que o chamaram Pedro MalazarteS.
Como era gente pobre, o filho mais velho saiu para ganhar a vida, largou a casa indo correr o  mundo.
Logo no primeiro dia encontrou um urubu com uma perna e uma asa quebradas, batendo no meio da estrada. Mais que depressa, agarrou o urubu e meteu-o dentro de um saco, seguindo caminho.
Ao anoitecer estava diante de uma casa grande e bonita, alpendrada. pela janela viu uma mulher guardando vários pratos de comidas saborosas e garrafas de vinho.
Bateu e pediu abrigo mas a mulher recusou, dizendo que não estava em casa o marido e ficava feio um homem de portas adentro.
MalazarteS foi para debaixo de uma árvore e reparou na chegada de um rapaz, ainda moço, recebido com agrados pela dona de casa que o levou imediatamemnte para jantar.
Iam os dois começando a refeição quando o dono da casa apareceu montado num cavalo alazão. O rapaz pulou uma janela e fugiu.
Malazarte deu tempo para o dono da casa mudar o traje e tornou a bater pedindo abrigo e comida. O dono apareceu e mandou-o entrar, lavar as mãos e ir jantar com ele.
Só que a comida que apareceu era outra, bem pobre e malfeita. Malazarte sempre com o urubu dentro do saco, deu com o pé, fazendo-o roncar, começou a falar, baixinho, como se estivesse discutindo.
- Com quem está falando? - perguntou o dono da casa.
- Com esse urubu.
- Urubu falando ?
- Sim, senhor, falando e adivinhando. Esse urubu é ensinado a adivinhar.
- E o que ele está adivinhando agora ?
- Está me dizendo  que naquele armário há um peru assado, arroz de forno, bolo de milho e três garrafas de vinho.
Não diga... Procura aí, mulher !
A mulhger procurou e, fingindo-se assombrada pela surpresa, encontrou tudo quanto anunciara o urubu e trouxe os pratos e o vinho para a mesa.
Comeram fartamente e o dono quis comprar o urubu.
Pela manhã Malazarte, muito contrariado, aceitou o dinheiro alto e foi embora, deixando o urubu que nunca mais adivinhou coisa alguma.

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Pedro Malasartes é o herói preferido da gente simples, quase sempre contra os mais ricos e poderosos.  Tradicionalmente esperto, escorregadio, pai de todas as artimanhas, engsnos, seduções e astúcias, é de se ver como homam do povo, simples, crédulo e humilde, adora ouvir suas histórias.
Vinga-se o popular da sua posição subalterna vendo o personagem sair sempre ganhando, por sua astúcia e por suas artes, dos que lhes são superiores.
Uma espécie de Robin Hood sem armas. Não é criação brasileira, apesar de estar espalhado por todo Brasil. É pesonagem universal, praticamente de todos os países, em todas as épocas.
Há até versões ambiciosas, literárias e intelectuais, como, por exemplo, Pedro de Urdemalas, de Cervantes.
Um estudioso reuniu 318 histórias  e variantes com o personagem, mas este número pode ser infindo, pois sempre que se conta uma história  de algum esperto levando vantagem contra alguém,  logo essa história aparece mais adiante  como "mais uma  do Pedro Malasartes".


E quem não conhece a famosa sopa de pedra de Malasartes ?
Só ele tem a receita.


 "Minha sopa de pedra
tem melhor sabor...
Boto legume da horta,
só pra dar cor...
Verdura fresquinha,
um bocadinho só...
Boto água do rio,
prá ficar melhor."

sábado, 19 de setembro de 2009

O GRITADOR.

O Gritador também é conhecido como “Zé-Capiongo”. Vive gritando noite a dentro.
Contam que ele é a alma de um vaqueiro que, desrespeitando a sexta-feira da Paixão, saiu a campear e nunca mais voltou. 

Sumiu misteriosamente com o cavalo, o cachorro e a rês que campeava. Virou assombração. 
Hoje vive gritando no mato, aboiando uma boiada invisível, pois ele não se conforma em ter morrido antes da hora. Embora os seus gritos sejam mais ouvidos durante a noite, o Gritador não tem hora para gritar. 
Dizem que até ao meio-dia ele clama no meio do mato, assombrando os vivos, assustando os bichos. Nas noites de sexta-feira, além do seu grito triste, são ouvidos também,  o rumor dos cascos do seu cavalo e o ladrar do seu cachorro.

Tenebroso e assustador!

A MÃE D'ÁGUA.


Mãe D'Àgua é  uma sereia que habita fundo do Rio São Francisco.
Para os barqueiros o  rio dorme quando é meia-noite, permanecendo adormecido por dois ou três minutos. É momento de silêncio:
ele pára de correr e as cachoeiras de cair. Os peixes se deitam no fundo do rio, as cobras perdem o veneno e a Mãe D’Água sai da sua morada e vem para fora, procurando uma canoa ou uma pedra para ela se sentar e pentear seus longos cabelos.
Nesse instante, as pessoas que morreram afogadas saem do fundo das águas e seguem rumo às as estrelas.
Quem se encontra no rio à meia-noite, todo o cuidado é pouco para não despertá-lo.
Se um barqueiro sente sede, antes de pegar a água, joga nele um pedacinho de madeira. E se a madeira ficar parada, é hora de esperar... não convém acordar o rio: quem o fizer, poderá ser castigado pela Mãe D’Água, pelo Caboclo D'Água, pelos peixes, pelas cobras e pelos afogados, que não podem alcançar as estrelas.



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A LENDA DA SAMAMBAIA - AÇU.



Eu ouvi dizer que a samambaia-açu, é uma planta  que nasce nas florestas virgens, cuja fruta amadurece e cai nas sextas-feiras santas, à meia-noite.

Quem dela se apossar obterá riquezas, muitas riquezas. Porém, é preciso ser dotado de muita bravura, pois ela pertence ao Diabo, que, nesse dia, aguarda na espreita o seu amadurecimento para levá-lo consigo.

Quem ambicionar que cave o solo, em torno da árvore, desenhando o signo-de-são-salomão de sete cruzes e se coloque dentro do desenho, para se livrar das garras do tinhoso, que se enfurece por não conseguir colher a fruta talismã.

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A samambaia-açu é uma espécie em extinção. Antigamente era usada para fabricar vasos e comercializada com o nome de "xaxim". 
Atualmente sua extração está proibida pelo IBAMA.

A LENDA DO MILHO.

 Há muitos e muitos anos, na época dos bisavós de seus bisavós, havia uma grande tribo cujo chefe era um velho índio.

Era um índio muito bom e que estava sempre preocupado com a felicidade da sua tribo.

Um dia, sentindo-se muito cansado e doente, pressentindo que estava para morrer, chamou os seus filhos e disse-lhes:
- Quando eu morrer, quero ser enterrado no meio da oca.Três dias depois de me enterrarem, surgirá de minha cova uma planta bem viçosa que depois de algum tempo produzirá muitas sementes. Quando virem a planta crescer e as lindas espigas aparecerem, não as comam, guardem-nas e plante-as.

Os dias se passaram, o velho índio morreu e os filhos fizeram-lhe tal qual o pai ordenara.

E como o velho índio dissera, surgiu de sua cova uma linda planta com belas espigas cheias de grãos dourados.

Os índios ficaram contentes, a tribo enriqueceu e passaram então a cultivar o milho com muito carinho.

E foi desse jeito que eu ouvi dizer.



quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O CHORO DO IPÊ.



Certo dia um caçador muito mau, resolveu acabar com todas as árvores do planeta.

Quando estava preste a cortar o primeiro ipê, um vento estranho e muito forte se aproximou, e como num passe de mágica, uma fada apareceu.
E castigando-o, pela sua maldade, transformou o infeliz caçador em um pé de "Ipê".

Até hoje, nas florestas, quando a noite se cala, pode se escutar o lamento do caçador que chora com saudades da família.

AFINAL, QUEM É O BODE EXPIATÓRIO ?

O tema é recorrente: a professora chama a atenção de um aluno por causa de alguma estripulia na sala de aula e a primeira coisa que ele responde é
- "Não fui eu !".

Então, a culpa da bagunça recai sobre aquele estudante que geralmente é mais ingênuo ou menos popular da turma.
São em momentos como este que os bodes expiatórios costumam a aparecer.

O bode expiatório é alvo favorito dos zombeteiros e daqueles que querem fazer alguém se submeter ao ridículo, recebendo arbitrariamente as culpas pelos erros dos outros, explica o escritor e professor Ari Riboldi:

Usar alguém de bode expiatório é jogar doses de ódio, revés e frustração sobre uma pessoa, acusando-a injustamente no lugar do verdadeiro culpado. Em muitos casos, o próprio escolhido é incapaz de perceber que está sendo vítima.

O professor de Língua Portuguesa e Literatura em Porto Alegre (RS), informa que a expressão teve origem em um ritual anual da tradição judaica, chamado de Dia da Expiação (Iom Kippur, em hebraico), que pode ser lido no capítulo 16 do Levítico, livro do Antigo Testamento da Bíblia.

Sacerdotes levavam dois bodes ao templo de Jerusalém para que um deles fosse escolhido, em sorteio, para ser sacrificado e queimado junto com um touro no altar dos sacrifícios. O sangue de ambos era colocado nas paredes do templo.

O outro animal, livrado do sacrifício, tornava-se o bode expiatório, que virava um símbolo de purificação e expiação dos pecados e culpas.
 O sacerdote colocava as mãos sobre a cabeça do bode para confessar todos os pecados de Israel. Em seguida, o povo também depositava os seus erros no animal, que depois era abandonado ao relento no deserto. Dessa forma, acalmava-se o demônio e o povo ficava livre dos males cometidos.

Ao longo da história, diversos bodes expiatórios surgiram, variando de acordo com o local e o período. Entre eles, os hereges, índios, negros, judeus, deficientes, homossexuais, pobres, imigrantes, comunistas, bruxas, leprosos, ciganos e nordestinos brasileiros. 
"Em geral as minorias são usadas como bode expiatório, pois são grupos mais 'fracos'".

Para Riboldi, a história da humanidade é rica em exemplos de dominantes que escolheram os mais fracos e indefesos para pagarem o pato, encobrindo os verdadeiros propósitos, que eram suas ganâncias e ambições. 
"Na história do Brasil, por exemplo, o caso clássico foi a morte de Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes." 
Ele foi o único a assumir toda a responsabilidade pela Inconfidência, inocentando seus companheiros, sendo executado e esquartejado

ONDE SERÁ QUE FICA A TAL "CASA- DA- MÃE -JOANA"?

 
É muito comum usar a expressão "casa-da-mãe-Joana" para se referir a um ambiente de bagunça. Mas por que se relaciona a tal Joana com a desordem? 
E afinal, onde ficava a "casa-da-mãe-Joana"?
 De acordo com Reinaldo Pimenta, professor de língua portuguesa, a expressão popular surgiu no século XIV a partir das desventuras de uma Joana que, de rainha, passou a ser fugitiva.

Segundo descreve Pimenta, em seu livro "Casa da mãe Joana", Joana I era a rainha de Nápoles e considerada a protetora cultural de poetas e intelectuais por causa de sua beleza e inteligência.
Ela se casou com seu primo Andrew, irmão de Luís I, rei da Hungria.

Algum tempo depois, Andrew foi assassinado em uma conspiração que, de acordo com a obra, teve a participação da própria Joana. Enfurecido, o irmão da vítima resolveu invadir Nápoles em 1348 perseguindo Joana, que se viu obrigada a fugir para a localidade de Avignon, na França.

Uma vez instalada em um palácio que já havia sido a moradia de sete papas, Joana passou a mandar e desmandar na cidade.
 Tanto que resolveu regulamentar os bordéis de Avignon, determinando que cada estabelecimento deveria ter uma porta por onde qualquer pessoa poderia entrar.
A partir disso, cada bordel ficou conhecido como "Paço da Mãe Joana", considerada a dona da cidade.

Mais tarde, Joana vendeu a cidade com a condição de ser declarada inocente de participação na morte do ex-marido. Em 1382, Joana foi assassinada por seu sobrinho e herdeiro, Carlos de Anjou.

Chegando essa história ao Brasil,  a palavra "paço" foi modificada para um formato mais popular, "casa", gerando a expressão como é conhecida até hoje: "Casa-da-mãe-Joana". 


A MORADA DO NEGRO D'ÁGUA.

Eu ouvi dizer que um tal de Negro D’Água ou Nego D’Água habita diversos rios tais como o rio Tocantins e o  São Francisco. 
O cara é tão famoso por aquelas bandas, que até  possui um monumento em sua homenagem, feito pelo  escultor juazeirense Ledo Ivo Gomes de Oliveira, obra esta com mais de doze metros de altura e que foi construída dentro do leito do rio São Francisco exatamente na cidade de Juazeiro (Bahia).
Eu que não sou besta, fui  até lá para conferir. 
E não é que é verdade, gente ?
A prova está ai nesta foto que tirei.


Esta é uma lenda bastante comum entre os ribeirinhos, principalmente pelos lados da região centro-oeste do Brasil, muito difundida entre os pescadores, dos quais muitos dizem já ter o visto.
Segundo a lenda, Negro D’Água, costuma aparecer para pescadores e outras pessoas que estão em algum rio.

Não se há evidências de como surgiu esta lenda, o que se sabe é que o Negro D’água só habita os rios e raramente sai deles.
Sua função seria o de preservar os seus leitos daqueles que procuram as suas riquezas e também daqueles que não preservam a sua santa morada, amedrontando as pessoas que por ali passam, como partindo anzóis de pesca, furando redes, provocando enchentes, derrubando embarcações ou  dando sustos em pessoas.
A punição varia, dependendo daquilo que a pessoa estiver fazendo.

Manifestando-se com suas gargalhadas, preto, careca e mãos e pés de pato, não  é que o talzinho derruba mesmo canoa dos pescadores  se eles se lhe recusarem devolver os peixes?
Sua característica é muito peculiar, ele seria a fusão de homem negro alto e forte, com um anfíbio. Apresenta nadadeiras como de um anfíbio, corpo coberto de escamas mistas com pele. Um horror de se ver.

Em alguns locais do Brasil, ainda existem pescadores que, ao sair para pescar, levam uma garrafa de cachaça e  atiram para dentro do rio, para que não tenham sua embarcação virada.
Só que isso só deixa o Negro D'água mais furioso, porque ele não gosta que polua a sua moradia.

E  se você  tem por hábito não respeitar a morada de Negro D'Água, muito  cuidado.
Parece que ele não está de brincadeira.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A LENDA DOS JOGOS SOBRENATURAIS.



Existem muitos mistérios entre o céu e a Terra que são desconhecidos aos homens, e que geram muitas curiosidades e em alguns o medo. 
Ao longo do tempo o ser humano passou a buscar a compreensão daquilo que não tinha explicação aos olhos dos homens, uma das maneiras encontradas foi a oração, que era uma forma de obter respostas.

A oração é vista como uma forma de diálogo entre uma pessoa e Deus, o que é explicado em passagens da bíblia. Mas há pessoas que acreditam nos poderes e na existência de outros espíritos, e para entrar em contato com esses e obter respostas a oração não era um meio mais utilizado, daí surgiram os jogos sobrenaturais. 
São jogos criados pelos homens para que o mesmo possa entrar em contato com espíritos, há quem diga que é mentira, mas muitos acreditam que esses jogos realmente funcionam.

Há quem pense que os espíritos que participam do jogo é o demônio, outros que são espírito de pessoas que já morreram. Bom não há uma definição exata sobre os espíritos que são mencionados nos jogos e nem comprovação cientifica de que esses jogos realmente funcionem.

Muitas pessoas comentam que a brincadeira é toda manipulada por alguma pessoa que participa do jogo. 
É como diz a famosa frase de Willian Shakespeare: “Há mais coisas entre o céu e a Terra do que sonha nossa vã filosofia”. Não existem comprovações científicas da existência ou não do plano sobrenatural. Basta cada um acreditar naquilo que achar mais coerente. Bom são inúmeros os jogos que giram em torno dos espíritos, os chamados jogos sobrenaturais, os principais são:

Jogo do Copo

É um jogo onde os componentes recebem um espírito no copo e este se movimenta em direção as letras colocadas sobre uma mesa, respondendo as perguntas dos participantes. 
Pega-se uma folha qualquer e escreve o alfabeto de A até Z, os números de 0 até 9 e as palavras “sim” e “não”. Depois disso recorta-se cada letra e cada número de forma que cada letra do alfabeto e cada número fique em um quadradinho separado. 
Após ter feito isso, a pessoa deve espalhar as letras, os números e o sim e não na mesa formando um círculo. Em seguida, os participantes pegam nas mãos uns dos outros e concentrados fazerem a oração de 7 Pai-Nosso e de 7 Ave-maria. Tendo feito a oração, o jogador que irá fazer as perguntas coloca o copo de vidro no centro da mesa e aponta o dedo indicador para o centro do copo. 
Os demais jogadores devem fazer o mesmo, é de grande importância não encostar-se ao copo, após terem feito tais procedimentos, os jogadores devem apenas esperar a vinda do espírito. Com o espírito dentro do copo, o líder da equipe deve fazer as perguntas para o espírito responda. 
Depois que todas as perguntas forem respondidas certifica-se a ida do espírito e quebra-se o copo, jogando-o o mais longe possível de suas casas.

Agora diz ai: 

Quem nunca ouviu falar do jogo do copo ?
 

JURUPARI.. HERÓI MÍTICO DE BEM OU DO MAL ?


 Jurupari é um personagem que aparece em inúmeras lendas amazônicas. Em algumas histórias é retratado como um herói que trouxe ordem ao mundo, em outras aparece como um temível demônio. Às vezes chamado de "filho do Sol", outras vezes de "filho do Trovão".
Jurupari é o Senhor das Leis, filho virginal de Ceuci. Não podia ser visto por nenhuma mulher - aquela que o visse, morria. Ele foi o herói mítico criado  pelos homens para explicar  e justificar as duras  leis aplicadas às mulheres, que ficavam renegadas a  uma total situação de submissão e inferioridade.
O fato é que Jurupari está presente na mitologia de diversos povos indígenas, notadamente os que vivem na região de fronteira entre Brasil e Colômbia.
No começo do mundo, uma estranha epidemia atingiu os índios da Serra de Tenuiana. Morreram quase todos os homens. Sobreviveram as mulheres e alguns velhos.
Para evitar a extinção daquele povo, um velho pajé - nascido da união de uma índia com o rei dos pássaros jacami - fecundou a todas as mulheres da aldeia com sua mágica. Depois disso ele mergulhou num lago onde uma estrela costumava se banhar, e desapareceu.
Dez luas depois, todas as mulheres deram à luz. Entre os recém-nascidos havia uma menina que foi chamada Ceuci.
Ceuci era de uma beleza esplendorosa. Já adolescente ela entrou na floresta e comeu a fruta proibida do pihican. O suco delicioso da fruta escorreu da boca de Ceuci, desceu por seu corpo e banhou-lhe as partes íntimas. Após comer as frutas sentiu-se diferente. Examinou-se e viu que não era mais virgem. Estava grávida.
Dez luas depois nasceu um menino forte e belo, que se parecia com o Sol. Foi batizado com o nome de Jurupari.
Os índios elegeram a criança como seu líder. Naquela época eram as mulheres que governavam. Elas discutiam a melhor hora para entregar os símbolos de chefe a Jurupari e quando se deu conta, a criança havia sumido.
Procuraram por Jurupari, mas nada encontraram. Dos mais altos morros da serra ouvia-se murmúrios de criança. A infeliz Ceuci permaneceu na mais alta montanha, chorando a perda de seu filho. À noite ela dormia e ao acordar pela manhã sentia que seus seios estavam vazios. Era seu filho, que vinha junto dela se amamentar.
Depois de 15 anos, Jurupari voltou a sua aldeia.
Ele revelou a todos que recebera uma missão do Sol: reformar os usos e costumes dos povos da terra. Ferveu uma resina em uma panela com água e criou todos os pássaros que voam pelo céu. Recebeu os enfeites de chefe, ensinou as novas leis a seu povo e mandou que alguns homens fossem às aldeias vizinhas, espalhar as novas leis a outros índios.
O nativo carregava consigo uma bolsa que lhe foi entregue pelo próprio Sol. De dentro da bolsa, bem lá do fundo, retirava pedras que eram pintadas com as sombras do céu, e que mostravam tudo o que acontecia pelo mundo. Nessas pedras podia também podia ver o futuro.
Em uma dessas pedras, viu a morte de Ualri. Jurupari então, se transportou até a palmeira que havia nascido do corpo de seu enviado. Uma música suave  saía da palmeira quando o vento assoprava.
 Pediu às aves que o ajudasse a cortar as folhas da árvore, e usando a mandíbula de um peixe, serrou a palmeira, que na verdade eram os ossos de Ualri.
E daquela palmeira, construiu um conjunto de flautas sagradas para que fossem utilizadas nos rituais a partir daquele dia.



A PEDRA DO PICO E A ALAMOA.

Eu ouvi dizer que lá pelas bandas de Fernando de Norinha, os antigos detentos do presídio da ilha  contavam que nas vésperas de tempestades, quase sempre à meia-noite, aparecia na praia uma mulher lindíssima, muito alta, com longos cabelos louros e completamente nua, dançando ao som do bater das ondas, iluminada pelos relâmpagos. Seus pés pareciam não tocar no chão e sim flutuar na areia. 
Era a alamoa, feminino de alamão (alemão), pois conforme a interpretação popular, mulher loura naquelas paragens só poderia ser alemã.
Aqueles que sucumbem a seus encantos vêem-na se transformar em um esqueleto. Para alguns, é uma alma penada, à procura de um homem forte que a ajude a desenterrar um tesouro escondido.
A pedra do Pico é a sua morada. Em noites de lua cheia, a pedra se fende, abrindo-se uma porta, por onde sai uma luz. 
A bela alamoa baila atraindo sua vítima. Aqueles que entram em sua morada, logo constatam com horror a terrível transformação. 
Seus belos e brilhantes olhos transformam-se em dois buracos e ela vira uma caveira horripilante. 
Então, a fenda se fecha e o pobre homem nunca mais é visto.
Seus gritos de pavor, no entanto, ainda ressoam no local durante muitos dias.

Saudações Florestais !

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O MUIRAQUITÃ.

Muiraquitã é o nome que os índios davam a pequenos objetos (geralmente representando rãs ou sapos), trabalhados em pedra de cor verde, jadeíta, jade ou nefrita, podendo existir em outros minerais e de outras cores. 
Conhecidos desde os tempos da descoberta, foi entre os séculos XVII e XIX que se tornaram mais procurados, sendo atribuídas qualidades de amuleto ou talismã e ainda virtudes terapêuticas. O muiraquitã atraía sorte para os seus possuidores e também curava quase todas as doenças.

Pleno de exotismo e mistério, o artefato encontrado na região paraense do Baixo Amazonas, em especial nas proximidades de Óbidos e nas praias dos rios Nhamundá e Tapajós, é atribuído às Icamiabas, lendária tribo das Amazonas, mulheres guerreiras que
viviam sem marido.
  Bem, foi desse jeito que eu ouvi dizer...

Estes batráquios eram confeccionados pelas índias que habitavam às margens do rio Amazonas. 
As belas mulheres nas noites de luar em que clareava a terra, se dirigiam a um lago mais próximo e mergulhavam em suas águas retirando do fundo, bonitas pedras que modelavam rapidamente e ofereciam aos seus amados, como um verdadeiro talismã, que pendurado ao pescoço, levavam para caça, acreditando que traria boa sorte e felicidade ao guerreiro. 
Só sei que até nos dias de hoje, muitas pessoas acreditam que o Muiraquitã traz felicidade, considerado um amuleto de sorte e de boas novas para quem o possui. 
O Muiraquitã apresenta também outras formas de animais, como jacaré, tartaruga, onça, mas é na forma de sapo a mais procurada e representada por ser a lenda mais original.
As Icamiabas ofertavam a seus parceiros Guacaris, tribo mais próxima de nossas Amazonas, após o acasalamento na festa dedicada a Iaci, entidade considerada mãe do Muiraquitã e que anualmente durava dias. 
Depois de manterem relações sexuais, as Icamiabas mergulhavam até o fundo lo lago espelho da lua, nas proximidades das nascentes do rio Nhamundá, perto do qual habitavam as índias, nação das legendárias mulheres guerreiras que os europeus chamavam de amazonas (mulheres sem maridos), para receber de Iaci o famoso talismã, o qual recebia as bênçãos da divindade. 
A lenda diz também, que se dessa união nascessem filhos masculinos, estes seriam sacrificados, deixando sobreviver somente os do sexo feminino.


Saudações Florestais !

A LENDA DA PEDRA PINTADA.

    Como um passe de mágica, tudo aconteceu e, como num conto de fadas, foi se tornando realidade...
Em um gigantesco Vale Verde, orlado de lindas montanhas, lagos, igarapés, há um imenso e tranqüilo rio, o Parimé. Nas suas proximidades encontra-se uma enorme pedra, cheia de mistérios e muita paz, a Pedra Pintada.

    Há muitos e muitos anos, ali viviam os índios Paravianas. Eles eram muito altos, fortes e guerreiros. Como toda tribo tem suas autoridades maiores, eles também tinham as suas: o Tuxaua e o Pajé. Como entidade espiritual, o Pajé pressentiu que alguma “coisa”, uma grande catástrofe iria acontecer a todos os índios. Reuniu a tribo e comunicou que havia sonhado com homens altos, com olhos azuis e cabelos de ouro que viviam para guerrear. 
Todos ficaram preocupados, pois havia uma “Seiva Sagrada” e ninguém poderia pegá-la. Somente o Pajé podia tocar a seiva que era para curar todos os males. O Tuxaua resolveu escondê-la entro da gruta em cima do Dólmen, onde também era guardado o tesouro da tribo.

    Como no sonho do Pajé, os homens brancos apareceram, invadiram a gruta e pegaram a “Seiva Sagrada”. Uma grande batalha aconteceu. A “Seiva Sagrada” explodiu uma grande fumaça em forma de cogumelo apareceu, matando todos os brancos e quase todos os índios.

    O Pajé, que havia sido salvo por seus poderes mágicos, pegou o tesouro e guardou-o no fundo do imenso lago, mesmo fraco e ainda com seus poderes, transformou dois índios em dois tigres e ordenou que ficassem como guardiões do tesouro. Com muita tristeza o Pajé deixou gravado na grande pedra a história de sua gente.

    Até hoje encontra-se na Pedra Pintada, inscrições desse povo. 
O Pajé deixou a seguinte maldição:

    “Quem entrar no grande lago, verá chover, e essa água caída do céu, trará a maldição da doença”.





Saudações Florestais !

A CIDADE ENCANTADA DE JERICOARA

Dizem alguns habitantes de Jericoacoara que, sob o serrote do farol, jaz uma cidade encantada  onde habita uma linda princesa.
Perto da praia, quando a maré está baixa, há uma furna onde só se entrar de gatinhas. Essa furna de fato existe.
Só se pode entrar pela boca da caverna, mas não se pode percorrê-la, porque é fechada por enorme portão de ferro.A princesa está encantada no meio da cidade que existe além do portão.
A linda princesa está transformada numa serpente de escamas de ouro, só tendo a cabeça e os pés de mulher.
Conta a tal l lenda que ela só pode ser desencantada com sangue humano.
No dia em que se imolar alguém perto do portão, abrir-se-á a entrada do reino maravilhoso. Com sangue será feita uma cruz no dorso da serpente, e então surgirá a princesa com sua beleza estonteante no seio dos tesouros e maravilhas da cidade.
E então, em vez daquela ponta escavada e agreste, surgirão as cúpulas dos palácios e as torres dos castelos, maravilhando toda a gente.
Na povoação há um feiticeiro, o velho Queiroz, que narra com fé dos profetas e videntes, os prodígios da cidade escondida.
Certo dia Queiroz, acompanhado de muita gente da povoação, penetrou na gruta.
O feiticeiro ia desencantar a cidade.
Já estavam em frente ao portão, que toda a gente diz ter visto. Eis que surge a princesa à espera do desencanto.
Dizem que ouviram cantos de galos, trinados de passarinhos, balidos de carneiros e gemidos estranhos originados da cidade sepultada.
O velho mágico, entretanto, nada pôde fazer porque no momento ninguém quis se prestar ao sacrifício.
Todos queriam sobreviver, naturalmente para se casar com a princesa.
O certo é que o feiticeiro pagou caro à tentativa. Foi parar na cadeia, onde permanece até hoje.


Saudações Florestais !
A cidade e a princesa ainda esperam por um herói que se decida a remi-las com seu sangue.
Como ninguém qui